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Hormônio do parto e da lactação facilita o reconhecimento de faces

janeiro de 2009
© Gansovsky Vladislav/istockphoto
A oxitocina é um hormônio produzido no cérebro cuja função mais conhecida é a indução das contrações uterinas durante o parto e a estimulação da secreção de leite. Agora, uma nova pesquisa destaca seu papel no reconhecimento de faces. O trabalho, publicado na última edição do The Journal of Neuroscience, mostra que a oxitocina é capaz de aumentar a capacidade de um indivíduo se lembrar de semblantes vistos anteriormente.

Os participantes que receberam uma dose de oxitocina, aplicada por meio de spray nasal, puderam identificar um número maior de rostos, mas não de objetos inanimados. “Reconhecer uma face familiar é fundamental para o sucesso da interação social. Nosso estudo indicou que a oxitocina em humanos fortaleceu essa capacidade”, disse Peter Klaver, da Universidade de Zurique, Suíça, um dos autores do estudo.

Pesquisas anteriores feitas com camundongos verificaram que o hormônio tem papel importante no reconhecimento de animais familiares. Mas, diferentemente dos humanos, que se valem da visão, os camundongos fazem isso por meio do olfato.
Os participantes do estudo suíço foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu aplicações de oxitocina, e o segundo, placebo. Em seguida, os pesquisadores exibiram imagens de rostos e de objetos, como casas, esculturas etc. No dia seguinte, eles foram submetidos a um teste surpresa no qual foram mostradas imagens vistas no dia anterior e outras novas. Aqueles que usaram o spray de oxitocina identificaram um número maior de faces já apresentadas do que os voluntários que receberam placebo. Não houve diferenças entre os grupos em relação às imagens de objetos.

Segundo os autores, o resultado sugere a existência de mecanismos diferentes para a memória social e a não social. “O estudo mostrou que uma única dose de oxitocina é suficiente para aumentar a memória de reconhecimento para estímulos sociais. Os resultados apontam para um efeito imediato e seletivo do hormônio: o fortalecimento dos sistemas neuronais envolvidos na memória social”, disse Ernst Fehr, também da Universidade de Zurique, em comentário divulgado pela Society for Neuroscience, com sede nos Estados Unidos.

Para Larry Young, pesquisador da Universidade Emory, em Atlanta, Estados Unidos, que também pesquisa os efeitos da oxitocina no comportamento humano, “o estudo pode ter aplicações em problemas como autismo, em que o processamento de informação social é prejudicado”.
(Com informações da Agência Fapesp)