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Hormônio favorece processos de socialização

Uso de ocitocina torna mais fácil interpretação de olhares

março de 2011
© steve debenport/istockphoto
Quando conhecemos novas pessoas, é normal ficarmos um pouco tímidos ou receosos e só nos soltarmos com o passar do tempo. Um hormônio que até mesmo na versão sintética pode facilitar essa aproximação é a ocitocina, responsável por, entre outras coisas, estimular sentimentos de segurança e bem-estar. Recentemente, diversas pesquisas têm demonstrado que a ocitocina pode favorecer também algumas das experiências interpessoais experimentadas por quem tem autismo. Um desses estudos foi desenvolvido pela neurocientista Angela Sirigu, diretora de pesquisa do Centro da Neurociência Cognitiva em Bron, na França, e publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, nos Estados Unidos.


Os pesquisadores recrutaram 13 voluntários adultos com autismo leve e apresentaram a eles um jogo de computador que consistia em arremessar uma bola aos outros participantes. Alguns dos jogadores se comportavam de modo menos cooperativo que os outros e, para obter sucesso, os voluntários precisavam identificá-los e evitar jogar-lhes a bola. Mas só conseguiram isso após receberem uma dose de ocitocina. Com a administração do hormônio o desempenho deles passou a favorecer os jogadores mais cooperativos, de forma semelhante ao de pessoas sem o autismo. O mesmo resultado não foi notado com o uso de placebos. Estudos anteriores demonstram que, em adultos, a ocitocina intensifica a capacidade de compreender emoções expressas na fala e diminui ações repetitivas. Já as crianças discernem melhor as intenções das pessoas, interpretando o olhar.


Embora ainda não tenham sido aprovados medicamentos com a substância, os pesquisadores acreditam que a ocitocina, se administrada logo após o diagnóstico do autismo, pode melhorar a qualidade de vida do paciente.