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Imagens que desafiam os olhos

Obras originais do artista plástico holandês Maurits Cornelis Escher, ícone na arte da ilusão visual, provocam sensações incômodas e despertam curiosidade

dezembro de 2010
imagens: © the m.c. escher company b.v. baarn, the netherlands
Menor e menor (1956)
Sucesso nos cinemas, o filme A origem, protagonizado por Leonardo diCaprio, chamou a atenção pela complexidade e beleza de cenários que desafiavam a perspectiva. O que poucos sabem é que alguns detalhes que transmitiam a ideia de um mundo paralelo, no qual não se sabe onde começa e termina a realidade, foram inspirados na obra do artista plástico holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972). Quem deseja experimentar algumas das sensações atraentes e ao mesmo tempo incômodas vividas pelos personagens do filme, como flutuar no espaço, ver imagens se desmanchando no espelho e se perceber de outro tamanho deve visitar a exposição O mundo mágico de Escher, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. Depois de Brasília, a exposição segue para o Rio de Janeiro e São Paulo.
imagens: © the m.c. escher company b.v. baarn, the netherlands
Subir e descer (1960)
A mostra reúne 95 obras originais de Escher, entre gravuras, desenhos e fac-símiles, incluindo alguns dos trabalhos mais conhecidos e enigmáticos do artista. As obras – que fazem parte do acervo do museu holandês Haags Gemeentemuseum, que mantém o Museu Escher – estão distribuídas entre as galerias I e II do CCBB. A exposição permitirá que o público passe pela série de experiências de desvendar os efeitos ópticos e de espelhamento que o artista utilizava em seus trabalhos: como olhar por uma janela de uma casa e ver tudo em ordem e, em seguida, acompanhar tudo flutuando por outra janela, ou, ainda, assistir a um filme em 3D que possibilitará um divertido passeio “por dentro” das obras do artista gráfico.
imagens: © the m.c. escher company b.v. baarn, the netherlands
Dia e noite (1938)
Tudo na exposição foi pensado para que de uma forma lúdica o público atente para as dimensões visuais criadas por Escher. Um quebra-cabeça gigante, por exemplo, mostra como ele se utilizava de imagens geométricas ou figurativas, unindo umas às outras, para criar gravuras que remetem ao infinito, uma técnica bastante usada por ele em obras como Menor e menor (1956) e o clássico Dia e noite (1938). Assim como Escher adorava brincar com a percepção imediata das pessoas, apresentando um mundo de sonhos onde não existem direções certas, em cima ou embaixo, a mostra também recria essa sensação se utilizando de alguns efeitos, como o de uma imagem colada no chão que se completa no espelho curvado, numa divertida mistura das três dimensões. Essa será, provavelmente, a única oportunidade de apreciar tantos trabalhos do artista fora do museu. “As obras de Escher são raras e muito procuradas para exposições. Só existem três coleções no mundo; mas as gravuras são frágeis e o museu que emprestou as originais, depois desta exposição, não deverá exibi-las nos próximos quatro anos”, diz Pieter Tjabbes, curador da mostra.