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Imitação mental

novembro de 2004
Quando um veterano se sai bem no teste, o aprendiz pensa em como fazer o mesmo
Quem nunca viu imagens de chimpanzés que, imitando os mais velhos, utilizam gravetos para "pescar" cupins ou pedras para quebrar nozes? A questão é saber se estavam apenas imitando os procedimentos motores dos mais experientes ou imbuídos de compreensão e planejamento. Biólogos da Universidade de Columbia, em Nova York, e da Universidade de Duke, em Durham, avançaram na resposta para essa pergunta, graças a Horácio e a Oberon - dois macacos resos treinados para resolver tarefas especialmente difíceis.

Numa tela de computador sensível ao toque, apresentavam aos primatas imagens de diversos objetos, que eles deveriam selecionar numa dada seqüência - por exemplo, "cabeça", "vaso", "papagaio", e então "motocicleta" - para ganhar uma guloseima como prêmio. A dificuldade: as imagens surgiam, a cada vez, entre muitas outras e em locais diferentes da tela. Mesmo assim, os resos aprendiam, com tentativas e erros, sempre novas seqüências.

Então, os pesquisadores colocaram Horácio e Oberon em gaiolas vizinhas, separadas por uma parede de vidro. Desse modo, um podia observar o outro, enquanto este aprendia uma nova seqüência, antes que chegasse sua própria vez de aprendê-la. A observação geralmente surtia efeito. Tendo visto o que o outro fez, os macacos superavam a tarefa com rapidez muito maior, contabilizando apenas metade dos erros usuais. Um aprendizado puramente motor não permitiria esse sucesso, pois os objetos eram colocados sempre em posições diferentes.

Segundo Francis Subiaul, um dos autores do estudo, pode-se rebater agora a idéia de que os primatas são apenas capazes de imitar movimentos observados. A inteligência social dos animais se estenderia também a regras abstratas, ainda que com restrições - pois nem Horácio nem Oberon acertavam de cara a seqüência do vizinho.

Science 305(5682), 2004, S. 407