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Impactos leves na cabeça podem causar danos cerebrais

Exames de ressonância após pequenas concussões detectaram prejuízos na substância branca, região de conectividade entre partes do sistema nervoso

julho de 2014
John A. Beal, Louisiana State University Health Sciences Center Shreveport/Wikimedia Commons
Corte lateral do cérebro mostra a substância cinzenta nas partes exteriores e a substância branca nas partes interiores
Golpes violentos na cabeça não raro provocam lesões cerebrais severas, causando hemorragia interna, perda de tecido e até morte neural. Agora, um estudo publicado na Neurology mostra que acidentes aparentemente menos graves, como cair de bicicleta sem capacete ou impacto leve de automóvel, também podem danificar o cérebro, especificamente a substância branca, região de conectividade entre partes do sistema nervoso.

Cientistas da Universidade Newcastle, no Reino Unido, compararam o cérebro de 53 pessoas que sofreram lesão cerebral traumática leve a moderada a um grupo de controle de 33 que não sofreram impactos na cabeça. Todos os voluntários realizaram um teste cognitivo enquanto eram submetidos a um exame de ressonância magnética capaz de mapear fibras nervosas que conectam regiões cerebrais e detectar prejuízos nas células neurais.

Os pesquisadores observaram, nos pacientes que haviam sofrido lesão, danos na substância branca, assim chamada pela grande quantidade de neurônios com o axônio (o “corpo” da célula) revestido pela bainha de mielina, envoltório lipídico com a função de isolar o neurônio e acelerar a condução do impulso nervoso. As neuroimagens foram fortemente relacionadas ao pior desempenho nas tarefas cognitivas: foi em média 25% inferior ao do grupo de controle.

Um ano depois, 23 dos voluntários que haviam sofrido lesões refizeram o teste cognitivo e passaram novamente pela ressonância. Dessa vez, a pontuação foi equilibrada com os participantes saudáveis, mas as neuroimagens ainda detectavam danos na substância branca.

“Os resultados mostram que, felizmente, as habilidades de pensamento foram recuperadas com o tempo”, diz o neurologista Andrew Blamire, autor do estudo. “A maioria das pesquisas se concentra em pessoas que sofrem lesão cerebral traumática grave e crônica. No entanto, aproximadamente 90% são de leves a moderadas.”

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