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Influência coletiva impulsiona sucesso musical

março de 2006
O fenômeno dos megahits musicais se deve a ondas de gosto produzidas por influência social .

A cada ano uma nova música estoura nas rádios. Ao contrário do que seria razoável imaginar, porém, qualidade musical e sucesso de audiência nem sempre andam juntos. O gosto volúvel dos ouvintes continua a desafiar as apostas dos especialistas ou medidas objetivas de qualidade.

De acordo com novas pesquisas, isso se deve à influência coletiva.
O sociólogo Matthew Salganik e seus colegas da Universidade Columbia colocaram à prova a teoria de que os ouvintes gostam das músicas que eles sabem que outras pessoas apreciam. Eles criaram uma página na internet e recrutaram mais de 14 mil participantes - a maioria deles adolescentes americanos - oferecendo arquivos gratuitos de 48 canções de bandas iniciantes (e, portanto, pouco conhecidas).
Os participantes foram distribuídos, aleatoriamente, em dois grupos. O primeiro grupo escolhia as canções apenas por título e nome da banda. Depois de ouvi-las, classificava-as numa escala que variava de uma (pior) a cinco (melhor) estrelas e então recebia permissão para baixar os arquivos. Para os pesquisadores, o procedimento procurava medir a qualidade intrínseca das canções.

O segundo grupo ouvia as mesmas canções, mas também era informado do número de vezes que outros participantes do grupo haviam baixado cada canção. Esse segundo grupo estava sujeito a dois tipos de organização experimental: um no qual as canções eram apresentadas de forma aleatória, e outro no qual elas eram apresentadas em ordem decrescente de popularidade. Os participantes deste grupo também foram divididos em oito subgrupos, com o objetivo de estabelecer se o sucesso das canções variava de subgrupo para subgrupo.

Embora canções populares permanecessem relativamente populares em todos os subgrupos, os pesquisadores descobriram que a média de sucesso ou rejeição era influenciada pela opinião de outras pessoas. Em outras palavras, as canções de sucesso faziam ainda mais sucesso no grupo que conhecia as listas de preferência do que no grupo que trabalhava sem informações sobre a opinião alheia.

Para os pesquisadores, executivos do mercado fonográfico continuarão tendo dificuldades para identificar possíveis sucessos: "Os especialistas falham em suas previsões não porque sejam incompetentes, mas porque preferências individuais estão sujeitas à influência social", escreve a equipe no relatório em que detalha seus estudos.