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Instituição: lugar de inclusão ou exclusão?

Segundo Ipea, cerca de 100 mil idosos vivem longe da família

dezembro de 2007
© KONSTANTIN SUTYAGIN/SHUTTERSTOCK
INVESTIGAÇÃO SOBRE ABANDONO: pesquisadora entrevistou moradores de asilos de Minas Gerais
É freqüente pensar em idosos que vivem em asilos como pessoas excluídas da sociedade. Uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, porém. mostra que, do ponto de vista dos próprios idosos, a institucionalização é um fator de inclusão. “As representações são contraditórias”, afirma a psicóloga Telma Maria Leite, autora do estudo.

Ele entrevistou moradores de duas instituições públicas do interior de Minas Gerais. O objetivo inicial do estudo, que logo se revelou equivocado, era investigar idosos em situação de abandono. “O asilo oferece uma condição excludente na medida em que não é valorizado na sociedade capitalista, no entanto, é também inclusiva porque acolhe e provê essas pessoas, que não têm a quem recorrer”, explica. Para os entrevistados, a institucionalização é conseqüência de perdas, tanto físicas como afetivas, ocorridas ao longo dos anos. A pesquisadora alerta para a falta de políticas públicas para manter essas pessoas no meio familiar. Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 100 mil idosos vivem em asilos no Brasil, com predomínio de mulheres.