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Instituto premia estudos sobre esclerose lateral amiotrófica

Pesquisadores com trabalhos relacionados à doença neurodegenerativa podem se inscrever até março

janeiro de 2011
© Lightspring/Shuttestock
O envelhecimento da população tem aumentado a incidência de várias doenças neurodegenerativas, entre elas está a esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma patologia ainda sem cura. Mais comum em homens, os sintomas começam a se manifestar entre os 40 e os 70 anos. Especialistas estimam que 2 a cada 100 mil pessoas são diagnosticadas anualmente com o problema. Acima dos 70 anos a relação aumenta para 15 a cada 100 mil. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA), cerca de 2.500 brasileiros são afetados. Alguns famosos como o ditador chinês Mao Tse-tung, e o compositor russo Dmitri Shostakowitch enfrentaram o problema. Em 2005, o físico e engenheiro civil brasileiro Paulo Gontijo, que sucumbiu à enfermidade, criou um projeto de incentivo a pesquisas deixado por ele nas mãos de seus filhos e amigos: um instituto que leva seu nome e tem o objetivo de impulsionar estudos sobre a doença, principalmente no que diz respeito a diagnóstico, tratamento e investigação genética. A entidade oferece auxílio aos pacientes e cuidadores, além de informações e indicação de hospitais e centros assistenciais. Uma das formas de estimular os pesquisadores é o Prêmio Paulo Gontijo de Medicina, da própria instituição, concedido a cada dois anos. Em 2011, o melhor estudo na área receberá US$ 20 mil. A escolha do ganhador e a entrega do prêmio serão em novembro, durante o 22o Simpósio Internacional ELA/Doença do Neurônio Motor, em Sydney, na Austrália. Cientistas de todos os países podem se inscrever até o dia 31 de março.


O primeiro a descrever a ELA foi um contemporâneo de Freud, o neurologista francês Jean-Martin Charcot (1825-1893). Ele percebeu que em alguns pacientes com dificuldades motoras as células de glia, normalmente responsáveis por proteger os neurônios, endureciam – ou esclerosavam; a constatação terminou por dar nome à doença – o termo “amiotrófica” refere-se à degeneração do tecido muscular, que se torna inativo devido à ausência de estimulação neural. Além da paralisia e da atrofia, outros sintomas são câimbras e prejuízos na fala e respiração. Em um período de dois a cinco anos a doença pode levar à morte.