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Jantar no escuro

Psicólogas transformam o ato de comer em experiência inusitada e desafiadora para os sentidos

fevereiro de 2009
DIVULGAÇÃO
Comer permite comungar sentidos. O tato, o olfato, a visão e o paladar são estimulados por texturas e cheiros; aspecto e sabor. Mais que isso: a cada refeição são reavivados prazeres, sensações e emoções primárias ligadas à fase oral, uma das etapas fundamentais na estruturação subjetiva da primeira infância. Para o bebê, desde a primeira mamada, a ingestão do leite materno se torna indissociável da visão e do cheiro do corpo da mãe, bem como do aconchego de seus braços e do embalo de sua voz. Por conseqüência, a alimentação trará para sempre impressa a marca dessa relação primordial e estruturante. Quando, de repente, somos privados do sentido da visão, o ato cotidiano e comum de comer pode se transformar em experiência contundente.

Foi o que ocorreu com as psicólogas Elis Feldman e Maria Lyra, em um restaurante em Paris. Na ausência de luz, sem poder ver o que e como ingeriam, vivenciaram outros sentidos durante a refeição. E resolveram partilhar a vivência: de volta ao Brasil, passaram então a produzir jantares no escuro, realizados na casa dos interessados. A idéia é que as pessoas possam tocar os alimentos e “comer com as mãos” – até porque os olhos permanecem vendados. O ambiente é cuidadosamente preparado com objetos que estimulam outros sentidos, com o objetivo de despertar novas sensações, fazendo aflorar percepções, emoções, fantasias inconscientes e reminiscências.

Ateliê no escuro. Contato: Elis Feldman ou Maria Lyra. Tel.: (11) 8339-5099; (11) 9690-7259. Email: jantarnoescuro@gmail.com