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Lebre-do-mar se defende com disfarce olfativo

agosto de 2005
A Aplysia confunde inimigos ao exalar odor de camarão.
Apesar das antenas que lembram duas orelhas compridas, a lesma marinha conhecida como lebre-do-mar não tem nada a ver com as lebres e os coelhos das fábulas. Ela tampouco é ágil como o animal de quem emprestou o nome. Em compensação, é capaz de outros truques: a Aplysia libera uma secreção colorida quando um inimigo, como a lagosta, se aproxima. Cynthia Kicklighter e seus colegas da Universidade da Geórgia, porém, suspeitaram que a manobra defensiva não era apenas de natureza visual. Ao perceber a secreção, o inimigo perde repentinamente o interesse pela presa. Passa a examinar o chão ou a limpar suas antenas - enquanto a lesma se distancia.

Para descobrir o segredo da secreção da lebre-do-mar, o grupo de biólogos americanos soltou várias lagostas esfomeadas em cima de diversos exemplares da espécie Aplysia californica. A água dos tanques do laboratório ficou imediatamente turva, devido a duas excreções dos animais atacados: um líquido semelhante a uma tinta púrpura, composto principalmente de amônia, e uma outra substância branca e leitosa, cujo principal componente é um aminoácido chamado taurina.

A mistura afeta os receptores olfativos dos crustáceos: o perfume da Aplysia imita o do camarão, alimento preferido das lagostas. Segundo os pesquisadores, trata-se de um caso de "fagomimetismo", processo em que uma presa imita outro animal ainda mais apetitoso para o seu caçador.