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Lítio na água pode prevenir suicídios

maio de 2009
© Ronald Sumners/shutterstock
Um estudo realizado no Japão indica que a ocorrência de níveis ligeiramente mais altos de lítio na água potável está relacionada a taxas mais baixas de suicídio na população. O lítio, elemento químico facilmente encontrado na natureza, é também usado como medicamento no tratamento de distúrbios de humor, particularmente do transtorno bipolar. Uma pesquisa anterior (1990) já havia sugerido que concentrações mais altas da substância na água potável que abastece determinadas localidades se correlacionavam com incidências mais baixas de crimes e tentativas de suicídio. No estudo que acaba de ser publicado no The British Journal of Psychiatry, psiquiatras da Universidade de Oita observaram efeito semelhante.

Oita é uma região administrativa do Japão formada 18 municípios, com uma população total de 1,2 milhão de habitantes. A concentração de lítio na água potável que abastece essas cidades é muito baixa, mas bastante variável (entre 0,7 e 59 microgramas/litro), o que permitiu detectar taxas de mortalidade por suicídio significativamente menores onde a concentração do elemento na água era maior.

Os resultados do estudo suscitam questões eticamente delicadas. Já que baixíssimas concentrações de lítio aparentemente não têm conseqüências para as pessoas saudáveis, seria aceitável suplementar a água potável de populações inteiras para diminuir o risco de suicídio em um pequeno grupo de pessoas com transtorno de humor? Segundo os autores, ainda é cedo para se pensar nisso; mais estudos são necessários para se avaliar os possíveis custos e benefícios de tal medida.