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Livro O cão e o gato incentiva crianças a conviver com as diferenças

História apresenta personagens animais para mostrar que amigos não precisam ter as mesmas características

agosto de 2011
andré letria/ peirópolis
O cão e o gato. António Torrado. Peirópolis, 2011. 32
págs., R$ 30,00.
Diferenças geralmente incomodam. Nossas arestas (uma metáfora para aquilo que não temos bem resolvido do ponto de vista emocional) esbarram nas dos outros – e quase sempre enroscam, arranham, machucam. As pessoas, então, “estranham-se como gato e cachorro”. Não é para menos: o outro, seja ele quem for, às vezes parece estranho demais – e ainda que seja, isso não deveria importar tanto, mas o fato é que importa. Às vezes, porém, por força das circunstâncias e a despeito das discórdias, os inimigos se toleram, convivem (mas nem por isso se aproximam de fato). Era o que acontecia com os dois bichinhos protagonistas do livro O cão e o gato, do escritor português António Torrado, ilustrado por André Letria. Eles viviam na casa de uma pobre velha que dividia com eles o pouco que tinha e insistia para que fossem amigos. Isso, no entanto, lhes parecia demais: o que faziam era se suportar mutuamente em nome da comida e do abrigo que recebiam. Mas quando a mulher morre, eles são simplesmente enxotados pelos parentes dela, e é vagando pelas ruas, com frio e fome, que terminam por descobrir que são mais fortes juntos. A dupla encontra um gênio que lhes faz uma proposta curiosa: sugere que troquem de lugar, assumam o corpo um do outro. Em contrapartida, eles teriam a dona carinhosa e a casa aconchegante que tanto queriam. No começo é bem difícil embarcar nesse exercício de compaixão, mas, aos poucos, conviver fica bem mais tranquilo. E, com o passar do tempo, eles já nem se preocupam em saber “onde começa o gato e termina o cão”.