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Livro para enrolar a língua

A casa das dez furunfunfelhas brinca com sons e palavras difíceis de pronunciar

maio de 2015
Gláucia Leal
DIVULGAÇÃO

Alguns livros precisam ser lidos em voz alta. É, com certeza, o caso do recém-lançado A casa das dez furunfunfelhas, escrito por Lenice Gomes e ilustrado por Romont Willy. O livro brinca com sons e palavras e propõe que o leitor de qualquer idade solte “os nós da língua”.

Animadas, as dez irmãs gostam de desafios e costumam reunir-se numa grande roda na calçada para propor trava-línguas. À primeira vista isso pode parecer fácil, mas talvez confunda até mesmo gente grande. Duvida? Tente, por exemplo, repetir várias vezes – cada vez mais rápido – o que está escrito na placa, pertinho de onde moram as furunfunfelhas: “Esta casa está ladrilhada. Quem a desladrilhará? O desladrilhador. Quem a desladrilhar, bom desladrilhador será.” Complicado? Então tente este: “A aranha arranha a rã, a rã arranha a aranha; a rã não arranha a aranha nem a aranha arranha a rã”.

A cada desafio proposto, uma das mocinhas tem um tangolomango, cai num sono profundo e fica uma a menos para participar da brincadeira – até que não sobra nem umazinha para participar da história. Felizmente, aparece o velho Félix com seu fole, se desmanchando em sorrisos e, propondo adivinhações, faz cada uma das furunfunfelhas despertar.

Em meio à festa, ele se encanta por uma delas. As irmãs olham uma para a outra e pensam: “Será comigo ou será com ela?”. E desatam a falar: “Não sei se é fita, não sei se é fato, o fato é que o velho Félix nos fita de fato”. E é a vez delas perguntarem: “O que é uma coisa que se quebra ao falar?” Eu não devia, mas (como essa é só uma das muitas adivinhações propostas no livro) eu conto: o segredo. Ou seria o silêncio?

A casa das dez furunfunfelhas.
Lenice Gomes. Ilustrações de Romont Willy.
Mundo Mirim, 2010.
36 págs. R$ 27,00.

Veja mais resenhas de lançamentos na edição de maio de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento:http://bit.ly/1DKrwmD

 

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