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Notícias

Luta contra o tempo

dezembro de 2008
DIVULGAÇÃO
Ser mulher no Brasil é conviver com a extrema valorização da aparência. Ter um corpo bonito e escultural, especialmente no Rio de Janeiro é, no entender da antropóloga Mirian Goldenberg, uma forma de ascensão social. O estudo dessa realidade e as suas implicações nos preconceitos e estigmas que cercam o envelhecimento feminino podem ser avaliados no último livro da autora: Coroas, corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade.

Para compreender como as mulheres de 50 anos se enxergam hoje, a antropóloga comparou o significado do envelhecimento para brasileiras, alemãs, inglesas e espanholas. Enquanto as alemãs estão mais preocupadas com a realização profissional do que com o corpo, as brasileiras sentem o passar do tempo como uma perda do “capital do corpo e da sexualidade”. No Brasil, o corpo é visto como a verdadeira roupa e, por isso, deve ser “exibido, moldado, manipulado, enfeitado, escolhido, construído, produzido, imitado. A roupa é apenas um acessório para a valorização e a exposição desse corpo da moda”, afirma a autora. E é nesse contexto que o envelhecimento se torna cada vez mais preocupante e ameaçador para a mulher.

Estudiosa dos temas que preocupam a mulher, Goldenberg também é autora dos livros A outra, Toda mulher é meio Leila Diniz, Os novos desejos, De perto ninguém é normal e Infiel: notas de uma antropóloga.