Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Luz, cor e psicologia da forma: influência da Gestalt na arte de Abraham Palatnik

Exposição traz retrospectiva da obra do maior artista cinético do Brasil, influenciada por internos de um centro psiquiátrico

agosto de 2014
Objeto cinético, 1966, abraham palatnik. foto de marcello kawase
Os internos do Centro Psiquiátrico Pedro II foram decisivos para a formação artística do potiguar Abraham Palatnik. Aos 20 anos, recém-chegado de uma temporada no Oriente Médio, viu, em suas palavras,“seu castelo ruir” quando conheceu o ateliê criado da década de 50 no hospital pela psiquiatra Nise da Silveira, onde artistas diagnosticados com doenças mentais graves, como esquizofrenia, manipulavam cores e formas de maneira original, sem a pretensão de produzir “arte”.

O artista abandonou os pincéis e o papel para usar luz e movimento como matéria-prima e criar obras que mudam a todo tempo – surgiram assim os trabalhos que fariam dele a maior referência da arte cinética no Brasil. Hoje com 86 anos, o artista é homenageado com uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, Abraham Palatnik – A reinvenção da pintura.

A arte cinética é, ao lado da arte óptica, a corrente artística que mais flerta com a neurociência. São obras que relembram que a realidade sempre muda de acordo com a perspectiva de que é observada. O que “vemos”resulta da interação entre dados sensoriais (estímulos físicos), premissas do cérebro a respeito do mundo natural, memórias e emoção. Não por acaso, Palatnik estudou a Gestalt, a psicologia da forma, que estipula que a percepção envolve a influência recíproca de vários estímulos. Seu conhecimento dessa teoria da mente, aplicada à sua formação de engenheiro, é evidente, entre outras séries, em Objetos cinéticos (imagem ao lado): hastes e fios metálicos com círculos de madeira coloridos em suas extremidades, que se movem com a ajuda de motores – mas a impressão de quem observa é que o movimento é lógico e natural, como móbiles.

Leia mais

Artista pesquisa os efeitos das cores sobre a percepção
Estudos de Carlos Cruz-Diez, ícone da arte cinética, estão expostos na Casa Daros, no Rio de Janeiro

Sinfonia de luz
Galeria no rio de janeiro exibe instalações luminosas de Julio Le Parc, ícone da arte cinética