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Nova evidência de predisposição à fala

Segundo estudo francês, capacidade de diferenciar vozes e reconhecer sons similares existe desde os primeiros meses de vida

setembro de 2013
Sashahaltam/Shutterstock
A necessidade de nos comunicarmos está inscrita em nossos genes. É o que sugerem pesquisadores da Universidade Jules Verne de Picardie, na França, que estudaram o cérebro de 12 bebês prematuros (nascidos aos 6 ou 7 meses de gestação) cujas conexões neurais ainda não foram fortalecidas pelo aprendizado auditivo que ocorre mais intensamente no útero nos últimos meses de gravidez.

Para entender melhor esse processo, os cientistas usaram a técnica não invasive de imageamento óptico – feixes de luz infravermelha atravessam o crânio e são absorvidos ou dispersos de acordo com os níveis de oxigênio no sangue, revelando a atividade neural – enquanto os pequenos escutavam homens e mulheres pronunciando sílabas simples, como “ga” e “ba”. O imageamento mostrou que eles não só foram capazes de distinguir o sexo de quem falava, mas também de reconhecer que os sons eram similares.

"O mais interessante é que o cérebro do bebê mobiliza nesse processo as mesmas redes neurais que usamos quando adultos”, diz o autor da pesquisa, o neurocientista Fabrice Wallois. Em outras palavras, apresentamos o mesmo tipo de conexão neural para a linguagem desde o início da vida, reforçando a hipótese de que já nascemos predispostos a compreender certos aspectos da língua.

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