Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Mães que deram à luz na rede pública têm mais risco de sofrer depressão pós-parto

Relação negativa com o parceiro e falta de suporte familiar aumentam vulnerabilidade

abril de 2015
SHUTTERSTOCK
Mulheres que dão à luz em hospitais públicos são mais suscetíveis de desenvolver o distúrbio do que as que recebem atendimento particular na hora do parto, segundo estudo do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e do Instituto de Saúde de São Paulo (IS).

Os cientistas avaliaram 257 futuras mães que deram entrada no Hospital Universitário da USP e 268 de classe média a alta que foram recebidas em instituições privadas, e as acompanharam até que o bebê nascesse e completasse 3 anos. Nos primeiros meses de vida do recém-nascido, elas foram reavaliadas e responderam a um questionário chamado de Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh, uma ferramenta que oferece indícios do transtorno. 

Resultado: 28% das que foram atendidas na rede pública apresentaram sintomas de depressão puerperal, um número, segundo os pesquisadores, quase duas vezes maior que a média mundial encontrada na literatura científica, que varia entre 10% e 15%. Apenas 8% das que receberam acompanhamento particular mostraram sinais do distúrbio.

“A depressão pós-parto acomete principalmente quem não tem muito auxílio, por exemplo, para dividir os cuidados com o bebê ou ajudar nas tarefas domésticas”, diz a psicóloga Tania Lucci, uma das pesquisadoras. “O estudo revela que as mulheres que frequentavam a rede particular tinham maior escolaridade, mais recursos e maior apoio social”, um potente protetor psíquico.

Os principais fatores de risco, segundo os cientistas, são ocorrência de depressão antes da gestação, relação negativa com o parceiro e falta de suporte familiar. A recomendação dos especialistas é que a família observe se a recente mãe apresenta sinais de tristeza, desânimo, irritabilidade e inquietação e procure ajuda profissional.

 

Leia mais:

Amamentar previne depressão pós-parto
Risco de desenvolver o distúrbio é 50% menor em mulheres que oferecem o peito aos seus bebês, segundo estudo da Universidade de Cambridge

Grávidas com TEPT e depressão são mais propensas a ter partos prematuros
Os dois transtornos juntos podem quadruplicar as chances de o bebê nascer antes do tempo