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Marcas corporais para aliviar feridas psíquicas

setembro de 2008
©FRANCISCO ROMERO/ISTOCKPHOTO
Alta incidência de ferimentos propositais na infância em pessoas com tatuagem
Na tentativa de amenizar o sofrimento psíquico, conferindo a ele uma forma visível e palpável, algumas pessoas ferem o próprio corpo, provocando em si mesmas cortes, queimaduras e outros tipos de lesão. Há ainda quem prefira, de forma obsessiva, perfurar diversas partes do corpo com piercings ou tatuar imagens. Naturalmente há influências culturais no ato de marcar a pele – mas é o comportamento exagerado que chama a atenção de pesquisadores.

Com a colaboração da revista alemã Taetowiermagazin, especializada em tatuagens e piercings, psicólogos das Universidades de Frankfurt e de Leipzig, Alemanha, entrevistaram 432 leitores, usando um amplo questionário, que abordou também a prática de causar outros tipos de lesões e os hábitos de infância.

Cerca de 30% dos participantes admitiram que faziam cortes na pele quando crianças, índice muito maior que o encontrado na população geral do país (0,75%). Destes, a maioria disse que a tatuagem ou o piercing são formas de experimentar a dor física, de superar experiências negativas e de diminuir outros tipos de agressão ao corpo. Reclamações sobre “coisas ruins” acontecendo em sua vida e uma relação conturbada com o próprio corpo foram muito mais comuns nesse grupo, comparado aos leitores que não tinham esse hábito.

Segundo os autores, os resultados indicam que a maioria das pessoas que busca esses métodos de modificação do corpo não parece ser motivada por problemas psicológicos. No entanto, aqueles que o fazem com grande freqüência, tendo já alterada boa parte da superfície corporal, quase sempre têm histórias de autolesões desde a infância ou a adolescência, e crêem que as tatuagens ou os piercings aliviam o sofrimento psíquico, pelo menos por um tempo. O estudo foi publicado na revista Psychotherapy Research.