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Marina Abramovic explora limites do corpo e da mente

Visitantes podem participar de sessões de exercícios de foco e introspecção criados pela artista

 

março de 2015
Marina Abramović, rhythm 5 (ritmo 5). Student Cultural Center, Belgrado, 1974 / 2014. 8:12 minutes loop; video, sem som, preto e branco/ © Marina Abramović/ cortesia de Marina Abramović

Nos anos 80, Marina Abramovic transformou o fim de sua relação amorosa com o alemão Ulay, também seu parceiro em vários trabalhos, em obra de arte: cada um começou a caminhar de uma extremidade da Muralha da China. Depois de meses, se encontraram no meio do trajeto: abraçaram-se e cada um literalmente seguiu solitário seu caminho. Um dos trabalhos mais conhecidos da artista sérvia, a performance Os amantes: a caminhada da Grande Muralha (1989) revela um aspecto frequente das produções de Marina: a longa duração e a fusão entre arte e vida pessoal. Duas décadas mais tarde, ela se reencontraria com Ulay em outro trabalho, O artista está presente (2010), no qual passava horas sentada em silêncio em uma cadeira, deixando que os espectadores, um a um, sentassem diante dela e encarassem seus olhos por quanto tempo quisessem – o ex-companheiro foi um deles. Registros em vídeo e fotografia dessas e outras produções da artista, considerada o principal nome da arte performática no mundo, podem ser vistos até maio no Sesc Pompeia, em São Paulo, na exposição Terra comunal.

São três videoinstalações: salas imersivas onde o visitante pode assistir a filmes dos trabalhos mais recentes de Marina. Um deles é A casa com vista para o mar (2002), uma performance na qual ela passou 12 dias sem comer e sentada em silêncio, dentro de um cenário que simulava uma casa, montado sobre uma sequência de degraus de facas afiadas, em uma galeria em Nova York. A versão apresentada no Sesc Pompeia é um vídeo do trabalho com narração da própria artista. Outra parte da exposição é composta por vídeos e fotografias de diferentes trabalhos da carreira de Marina, que começou nos anos 70. Entre eles, Ritmo 0 (1975), uma performance na qual deitou em uma mesa cheia de objetos – a maioria inofensivos, mas, entre eles, um machado e uma pistola – e convidou os espectadores a experimentar as peças como quisessem em seu corpo. “Estava preparada para morrer”, disse.

Uma sala com Objetos transitórios, esculturas de cristais e pedras preciosas que resultaram de sua pesquisa sobre minerais no Brasil, completa a retrospectiva. Os visitantes são incentivados a interagir com as peças – que contêm instruções que sugerem a posição em que devem ser observadas para potencializar a experiência sensorial do observador. A experiência, aliás, é a proposta central da exposição e do trabalho de Marina – todos os dias são oferecidas gratuitamente oficinas do chamado “método Abramovic”, uma série de exercícios criados pela artista para estimular a atenção e a introspecção. De acordo com ela, as técnicas ajudam a desacelerar corpo e mente e, assim, interagir com as peças de forma mais focada e relaxada. Para participar, é necessário se inscrever no site (veja informações abaixo). Marina ficará em São Paulo até maio e irá ao Sesc em dias determinados para conceder palestras ao público.

Terra comunal. Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo. De terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 19h. Informações: (11) 3871-7700. Grátis. Inscrições para participar das sessões “Método Abramovic” devem ser feitas com antecedência no site www.sescsp.org.br/terracomunal. A página traz também relação de horários das performances de artistas brasileiros e datas das palestras de Marina. Até 10 de maio.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição de abril de Mente e Cérebro 2015, que pode ser adquirida na Loja Segmento: http://bit.ly/1FHaxa8

 

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