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Massacre silencioso

Livro da jornalista Daniela Arbex revela horror do Hospício de Barbacena, onde 60 mil pacientes perderam a vida

agosto de 2013
Divulgação
Holocausto brasileiro. Daniela Arbex. Geração Editorial, 2013. 255 págs., R$ 39,90.
“Estive hoje num campo de concentração nazista. Em nenhum lugar do mundo presenciei uma tragédia como essa.” Com essas palavras o renomado psiquiatra italiano Franco Basaglia descreveu sua visita ao Hospício de Barbacena, instituição criada no início do século passado, em Minas Gerais, para abrigar pessoas com doenças mentais. Escrito em forma de uma grande reportagem pela jornalista Daniela Arbex, Holocausto brasileiro mostra como, após alguns anos, a instituição passou a receber um enorme contingente de pacientes, o que prejudicou o atendimento. Sobretudo durante o governo militar, a unidade se tornou destino de criminosos, alcoolistas, prostitutas, epiléticos e até jovens desobedientes. Estima-se que 70% dos internados não tinham diagnóstico de doença mental e que 60 mil pessoas morreram dentro dos muros do hospital por inanição, diarreia, hipotermia e maus-tratos. Segundo a autora, muitas dessas vítimas do descaso e da crueldade tiveram o corpo vendido para faculdades de medicina, sem que houvesse questionamento sobre as condições da instituição. Hoje, reestruturado, funciona no local o Centro Psiquiátrico Hospitalar  de Barbacena.

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