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Notícias

Matemática natural

janeiro de 2007
Somos capazes de estabelecer, desde muito cedo, equivalências numéricas entre aquilo que vemos e aquilo que ouvimos
Pesquisas diferentes chegam a resultados semelhantes. Os psicólogos Andréa Berger e Gabriel Tzur, da Universidade Ben-Gurion, Israel, testaram 24 crianças entre 6 e 9 meses enquanto assistiam à apresentação de um teatro de bonecos. Durante o teste, a visão da cena foi bloqueada de tempos em tempos e o número de bonecos, alternado ou não. Os cientistas observaram que os bebês fixavam a atenção por mais tempo na cena quando o número de fantoches diferia da anterior. O cérebro das crianças foi monitorado por eletroencefalografia. Quando viam o mesmo número de personagens antes e depois, fixavam-se na cena durante 6,94 segundos, em média. Quando deparavam com o inesperado, ou seja, com um número de bonecos diferente da cena anterior, ficavam presos à cena por 8,04 segundos, em média. Publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em agosto passado, a pesquisa constatou que o padrão de resposta cerebral é idêntico ao de adultos diante de equações matemáticas. Esse estudo confirma outro, realizado pela psicóloga Karyn Wynn, da Universidade Yale, e publicado na revista Nature em 1992.

Achados parecidos foram publicados em fevereiro passado também no PNAS. As pesquisadoras Kerry Jordan e Elizabeth Brannon, da Universidade Duke, usaram metodologia similar à de uma experiência anterior sobre percepção numérica de macacos. Durante o teste, foram colocados diante de bebês de 7 meses dois monitores de TV que mostravam imagens femininas. Um exibia duas mulheres conversando; o outro, três. Enquanto isso, os bebês escutavam duas ou três vozes femininas alternadas, provenientes de caixas de som dispostas na sala. Constatou-se que eles fixavam mais a atenção no monitor quando o número de vozes e imagens era o mesmo. Segundo os pesquisadores, esse é um indício de que somos capazes de estabelecer, desde muito cedo, equivalências numéricas entre aquilo que vemos e aquilo que ouvimos.