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Mau funcionamento do ouvido causa medo de altura

Estudo de pesquisadora da universidade de são paulo (usp) testou atenção visual e equilíbrio de Voluntários enquanto jogavam sobre plataforma ligada a computador

outubro de 2009
© ole graf/corbis/latinstock
Das 70 pessoas que participaram do experimento, 31 sentiram-se desconfortáveis em locais altos
Alterações no equilíbrio estão na origem da acrofobia, distúrbio mais conhecido como medo de altura. Segundo a fisioterapeuta Catarina Boffino, que pesquisou o tema em sua dissertação de mestrado, defendida no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), o aparelho vestibular (órgão localizado no ouvido interno responsável pelo equilíbrio postural) de pessoas acrofóbicas não funciona bem. O problema, porém, costuma passar despercebido no dia a dia, pois o cérebro é capaz de compensar as dificuldades do aparelho vestibular com base em informações que vêm da visão e dos pés.

A perda do equilíbrio e o medo intenso associado a ela só aparecem quando a pessoa está em lugares altos, porque nessas ocasiões surgem duas demandas para as quais ela não está preparada: a necessidade de percepção visual acurada dos movimentos e a integração de funções cognitivas e controle do equilíbrio. O resultado é a vertigem e a ansiedade.

O estudo brasileiro é o primeiro que estabelece que o medo de altura se deve a alterações na interação entre cognição e equilíbrio, embora já se soubesse que a acrofobia difere de outras fobias nas quais não parece haver distúrbio físico subjacente. Das 70 pessoas que participaram da pesquisa, 31 sentiamse extremamente desconfortáveis em lugares altos. Numa plataforma ligada a um computador, os voluntários tiveram seu equilíbrio testado enquanto jogavam um game que exigia atenção visual(eles tinham de manter dentro de um quadrado uma bolinha que se movia de forma imprevisível).

A baixa pontuação obtida pelos acrofóbicos indica que sua interação entre atenção visual e sistemas de equilíbrio e cognição não ocorre de forma adequada. “Quando há uma situação de altura, o acrofóbico não consegue utilizar a atenção para auxiliar o equilíbrio”, explica Catarina. “Surge dificuldade para dividir as informações trazidas pela visão para a orientação do espaço externo, o equilíbrio e a percepção visual.” Os resultados do estudo publicados na revista European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience mostram ainda, como era esperado, que os acrofóbicos não relatam medo em outras situações, como quando estão dirigindo.