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Maurício Knobel morre aos 85 anos

janeiro de 2008
Antônio Scarpinetti/Jornal da Unicamp
Um dos maiores nomes da psiquiatria na América Latina foi chefe do departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica e professor emérito da Unicamp
(Agência FAPESP )– Maurício Knobel, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), morreu na manhã de terça-feira (22/1), aos 85 anos, de causas naturais. O enterro ocorreu no mesmo dia, no Cemitério Flamboyant, em Campinas (SP).

Um dos maiores nomes da psiquiatria na América Latina, Knobel atuava no Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Faculdade de Ciências Médicas.

Nascido na Argentina, formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Buenos Aires, em 1950. Fez especialização em psiquiatria infantil pela Associação Norte-Americana de Clínicas Psiquiátricas para Crianças e residência em psiquiatria na Greater Kansas City Mental Foundation, ambas nos Estados Unidos.

De volta à Argentina, foi professor titular de psicologia da criança e da adolescência, professor titular de higiene mental e diretor do Instituto de Psicologia da Universidade Nacional de La Plata. Foi organizador e chefe do Departamento de Psiquiatria Social do Instituto Nacional de Saúde Mental.
Na Universidade Nacional de Buenos Aires foi professor titular de psicologia evolutiva do Instituto de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Letras, onde permaneceu até abril de 1976, quando foi demitido durante o golpe militar no país. Foi também professor adjunto de psiquiatria clínica da Faculdade de Medicina. Um de seus alunos na universidade argentina foi Che Guevara que, então, “não revelava nenhuma inclinação para a política”, segundo Knobel.

A convite do então reitor Zeferino Vaz, Knobel, já reconhecido como um dos mais importantes especialistas na área na América Latina, passou a chefiar o Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica na Unicamp em outubro do mesmo ano, dando continuidade no Brasil à extensa carreira. Em seguida, reorganizou o Departamento de Pós-Graduação em Psicologia Clínica.

Naturalizou-se brasileiro em 1985. Em 1992, após aposentadoria compulsória, foi designado professor convidado titular junto ao Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria. No ano seguinte, recebeu o título de professor emérito da Unicamp, do então reitor Carlos Vogt.

Knobel foi também professor titular do Departamento de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, assessor da FAPESP e assessor de honra do Comitê de Psico-Oncologia da Associação Médica Argentina, título outorgado em 1992.
Foi presidente do Departamento de Psiquiatria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, da Regional Campinas da Sociedade de Medicina Psicossomática, da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Brasil e da Comissão Assessora de Saúde Mental do Estado de São Paulo.

Entre diversos outros cargos, ocupou a vice-presidência da Associação Mundial de Psiquiatria Dinâmica e da Federação Internacional de Psicoterapia Médica, foi consultor da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e membro da comissão científica da Universidade de Londrina. Idealizou e dirigiu o Centro de Prevenção ao Suicídio em Campinas.

Teve mais de 300 trabalhos científicos publicados, além de ter escrito 52 capítulos de livros e 12 livros, entre os quais Adolescência e família (1971), Adolescência normal (1973), com Arminda Aberastury, Psiquiatria infantil psicodinâmica (1977), A adolescência e a família atual (1981), Psicoterapia breve (1986) e Orientação familiar (1992).

Em 2006, doou, de seu acervo pessoal, 1.370 títulos à área de Coleções Especiais da Biblioteca Central Cesar Lattes da Unicamp.

Knobel era casado com a psicóloga e pesquisadora Clara Knobel e tinha quatro filhos, Roxana, Hernando, Joseph e Marcelo, este último professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp e diretor do Museu Exploratório de Ciências.