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Mecanismo de autorreparação pode preservar funções cerebrais contra Alzheimer e Parkinson

Há aumento da neurogênese no início dessas patologias, descoberta que pode levar a novas abordagens terapêuticas

julho de 2014
SARANS/Shutterstock
Uma pesquisa liderada pelo neuropatologista Diego Gomez-Nicola, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, aponta que a neurogênese, o processo de formação de novos neurônios, ocorre em algumas áreas do cérebro no início de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson – de forma que pode ser um novo alvo de estudos para criar estratégias terapêuticas, segundo artigo publicado na Brain.

Esse tipo de doença causa perda progressiva de neurônios. O grupo observou que, nos estágios iniciais dessas doenças, algumas áreas da estrutura cerebral se reajustam naturalmente para promover a renovação celular.

Os cientistas analisaram o cérebro de camundongos com príons (agente infeccioso que afeta tecidos neurais) para identificar passo a passo o processo de crescimento de neurônios e sua integração nos circuitos cerebrais. Eles observaram regeneração de populações neurais no giro denteado do hipocampo, região associada à memória e à aprendizagem. Os pesquisadores descobriram que o mecanismo de autorreparação é capaz de neutralizar parcialmente os danos e preservar algumas funções, mas é eficaz somente em fases iniciais e intermediárias da patologia, falhando em estágios mais avançados.

“Os resultados destacam o momento ideal para administrar potenciais intervenções terapêuticas com o objetivo de manter os efeitos benéficos do aumento da neurogênese em algumas etapas de doenças neurodegenerativas. Esperamos desenvolver num futuro próximo tratamentos com base nesse mecanismo para promover a regeneração neural em pacientes com Parkinson e Alzheimer”, diz Gomez-Nicola.

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