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Medicamento para esclerose múltipla pode enfraquecer memórias traumáticas

Em experimentos com ratos, droga FTY720 interferiu em lembranças de acontecimentos dolorosos

junho de 2014
Shutterstock
Um grupo de pesquisadores da Universidade Commonwealth da Virginia descobriu que a droga imunossupressora Fingolimod, ou FTY720, usada para tratar esclerose múltipla, é capaz de interferir na memória: em experimentos com ratos, o fármaco enfraqueceu lembranças de acontecimentos dolorosos nos animais, segundo estudo publicado online na Nature Neuroscience.

Os pesquisadores ensinaram os ratos a associar uma determinada gaiola com um leve choque elétrico, o que provocou uma espécie de trauma, evidenciado por sinais de medo quando os bichos eram colocados novamente no local. Depois, retiraram os animais desse ambiente e administraram Fingolimod em alguns deles. Em seguida, todos os ratos foram treinados para esquecer o evento incômodo: devolvidos várias vezes ao mesmo local, mas dessa vez sem a carga elétrica. De acordo com o estudo, aqueles que receberam a droga se esqueceram da situação traumática mais rapidamente do que o restante.

Primeiro medicamento oral disponível para o tratamento de esclerose múltipla, o Fingolimod, atua na supressão do sistema imunológico, ajudando a retardar a progressão da doença autoimune. A droga é fosforilada pelo organismo em sua forma ativa, o FTY720-fosfato. De acordo com os pesquisadores, o FTY720 se acumula no cérebro e inibe enzimas histona deacetilases (HDAC), importantes na regulação da expressão gênica. Particularmente, os cientistas observaram nos ratos o aumento da expressão de um número limitado de genes importantes para determinados processos de memória.

"Nosso trabalho sugere que alguns dos efeitos benéficos do Fingolimod que ainda não são bem compreendidos podem ser mediados por esta nova atividade que descobrimos", diz a coordenadora do estudo Sarah Spiegel, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Faculdade de Medicina da universidade.

São necessários mais estudos para esclarecer a relação entre o medicamento e a perda de lembranças traumáticas e determinar se poderia causar o mesmo efeito em humanos. Os cientistas têm esperança de usar a droga para amenizar o impacto emocional negativo em pessoas que sofrem com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e outros distúrbios psicológicos relacionados a experiências difíceis.

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