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Medicamento veterinário para combater a depressão

julho de 2008
ARTE: ÉRIKA ONODERA
A quetamina, um antigo anestésico de uso veterinário, é considerada uma das grandes promessas no tratamento da depressão, embora seu mecanismo de ação no cérebro ainda seja mal compreendido. Um estudo recém-publicado nos Archives of General Psychiatry fornece novas evidências nessa área.

Usando imagens de ressonância magnética, pesquisadores da Universidade de Manchester, Reino Unido, observaram que a droga desativa neurônios do córtex orbitofrontal (na região acima dos olhos), associado a reações somáticas como taquicardia e desconforto estomacal e a sentimentos negativos como culpa e baixa auto-estima.

Embora satisfeitos com o resultado, os cientistas declararam estar surpresos, porque esperavam que a quetamina atuasse predominantemente nas áreas laterais do cérebro, onde a atividade do medicamento foi mínima. O trabalho confirmou evidências anteriores, segundo as quais a quetamina inibe a liberação do neurotransmissor glutamato. Essa, aliás, é a grande diferença do fármaco em relação a outros antidepressivos, que atuam basicamente nos receptores de serotonina. O entusiasmo dos pesquisadores se deve principalmente à ação rápida da droga, que tem início em até 24 horas após a administração. Os tratamentos convencionais podem levar semanas para surtir efeito.