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Medicamentos psicoativos inibem conflitos sociais

Psicotrópicos podem impossibilitar pacientes de promover mudanças na própria vida

abril de 2010
© KAPU/SHUTTERSTOCK
Antidepressivos e ansiolíticos são usados para superar conflitos emocionais e aumentar os limites do corpo diante dos problemas cotidianos. Mas, segundo tese de doutorado defendida pelo farmacêutico Reginaldo Teixeira Mendonça na Faculdade de Saúde Pública da Universidade São Paulo (USP), também questões socioeconômicas são influenciadas pelo uso da medicação. Por meio de um estudo etnográfico, o pesquisador percorreu o “caminho social” dos medicamentos.

Para isso, iniciou seu trabalho na farmácia pública de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e acompanhou a rotina de 23 voluntários. A área delimitada para a pesquisa incluiu favelas, conjuntos habitacionais e bairros de classe média alta.
Segundo Mendonça, o uso dessas drogas tem, inicialmente, a finalidade de auxiliar nos confrontos emocionais, mas acaba impossibilitando o diálogo, fazendo com que os conflitos sejam ignorados – em vez de resolvidos. “As relações sociais são pautadas pelos medicamentos, e essa tendência pode ser produtora de um silêncio que impede a pessoa de encarar qualquer mudança em relação a sua vida”, afirma. Entre os homens, observou-se que essas drogas são usadas principalmente para superar os limites do corpo (dormir menos, trabalhar mais), na tentativa de se manterem como provedores da família. A pesquisa recebeu o Prêmio Nacional de Incentivo à Promoção do Uso Racional de Medicamentos de 2009, concedido pelo Ministério da Saúde.

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