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Médicos doentes

Pesquisa mostra que 67,7% dos médicos avaliados apresentaram transtornos ou dependência química

fevereiro de 2008
©Dr.Heinz Linke/ iStockphoto
Estudo desenvolvido pela Rede Estadual de Apoio a Médicos Dependentes Químicos, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), com 192 profissionais atendidos pela rede, apontou em 130 (67,7%) deles a presença de algum tipo de transtorno físico ou mental. Os problemas mais comuns foram de dependência química, transtornos mentais e até mesmo desgaste físico. O levantamento foi realizado entre maio de 2002 e maio de 2006 e publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria.

De acordo com médico psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dos autores do estudo, o que antes era considerado tabu hoje é reconhecido como fato a ser tratado: o aparecimento de distúrbios e de dependência química entre médicos. Segundo Laranjeira, a maior parte dos processos contra profissionais da saúde que chegam aos conselhos regionais do Brasil refere-se ao uso de drogas, especialmente álcool, maconha e cocaína ou então envolvem algum tipo de transtorno mental.

Outro problema apontado pelo estudo foi o da automedicação, verificada em 138 (71,8%) dos médicos avaliados. Na maioria das vezes constatou-se o uso inadequado de calmantes, o que pode gerar ou então agravar o problema de dependência química. A rede de apoio aos médicos dependentes foi criada em 2002 e funciona por meio de contatos telefônicos feitos pelos profissionais que apresentam algum tipo de distúrbio ou familiares. O atendimento é feito por psiquiatras voluntários que atendem no Estado de São Paulo. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone: (011) 5575 1708. (Agência Fapesp)