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Mente ecológica

As preocupações com a preservação do meio ambiente revelam valores ligados à coletividade e evidenciam que a liberdade é consequência da responsabilidade

julho de 2012
© LUXORPHOTO/SHUTTERSTOCK
por Melissa Tavares

Nos últimos anos, o meio ambiente ganhou destaque. Aparece nas redes sociais e na mídia, nas conversas informais; é tema de aulas de muitas escolas de educação infantil, cursos de especialização e constitui um privilegiado fórum de debates sobre os valores que formam práticas compartilhadas por uma comunidade, conferindo visão particular da realidade e permitindo entender sua organização. Nesse sentido, ultrapassa a questão ambiental e reflete o universo subjetivo.

Essa relação foi bastante considerada na formulação da psicologia junguiana. Como exemplo, o professor americano Theodore Roszak tomou por base a teoria do inconsciente coletivo de Carl Jung para considerar que haveria uma camada psíquica profunda, denominada inconsciente ecológico, que seria constitutiva do sujeito e o manteria conectado com a natureza. Na década de 90, Roszak concluiu que a saúde ecológica do planeta está diretamente relacionada à saúde mental das pessoas, que se relacionam de forma sinergética.

No campo da psicossociologia, Eugèn Enriquez sugere que quanto mais autonomia o sujeito alcança em relação às normas vigentes e mais singular ele se torna, maior também será sua contribuição para as mudança sociais. Nesse mesmo sentido, podemos entender que o processo clínico de individuação modifica a postura ética da pessoa, que tende cada vez mais a se implicar com a vida como um todo, assumindo sua parcela de responsabilidade diante de fatos que dizem respeito a todos.

A prática clínica há muito ultrapassou os limites do consultório. A relação terapêutica alcança, além da subjetividade individual, a coletiva em seus variados aspectos. A proposta é destacar a ideia de uma nova civilização capaz de superar valores capitalistas vigentes. O resultado é a ampliação das discussões e a constatação de que a responsabilidade é a consequência necessária da liberdade.