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Mirar os neurônios certos

O desafio da estimulação com campos elétricos e magnéticos é atingir áreas cada vez mais específicas, para tratar o câncer cerebral e a depressão

fevereiro de 2015
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Campos elétricos e magnéticos são capazes de influenciar e alterar a ação de células neurais. O problema é que geralmente afetam as células indiscriminadamente, inclusive as sadias. Agora, os pesquisadores estudam como atingir essas áreas mais precisamente para tratar o câncer cerebral e a depressão maior.

Em 2011, o Food and Drug Administration (FDA, órgão que cuida da regulação de drogas e alimentos nos Estados Unidos) aprovou uma touca portátil que dispara campos elétricos alternados de baixa intensidade para tratar tumores em adultos com glioblastoma multiforme recorrente, a forma mais comum e persistente de câncer no cérebro. Células cancerígenas que se dividem rapidamente têm forma e carga elétrica específicas, o que permite que os campos de força as destaquem. A destruição da máquina de copiar células tumorais poderia incitá-las ao suicídio. A tecnologia já está em fase de teste contra outros tipos de câncer, como o de pulmão e o meningioma (que atinge as membranas que recobrem e protegem o cérebro).

Outra técnica emergente procura atingir alvos específicos para tratar a depressão maior. Ainda em fase experimental, a terapia magnética convulsiva (TMC) cobre certas áreas do cérebro com intensos e fortes campos magnéticos alternados, o que provoca alterações químicas nos neurônios que os fazem disparar simultaneamente, induzindo a uma convulsão. O objetivo é o mesmo da terapia eletroconvulsiva (ECT), popularmente conhecida como terapia de choque. Por razões não esclarecidas, provocar atividade elétrica no córtex alivia sintomas do transtorno. No entanto, a ECT atinge uma faixa maior de tecido. Os espasmos cerebrais podem provocar perda de memória e outros efeitos colaterais negativos. Os pesquisadores esperam, num futuro próximo, substituir essa abordagem pela TMC localizada.

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