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Mistérios da memória dos bebês

Até os 9 meses as recordações são fragéis, perdem-se logo devido à imaturidade cognitiva

maio de 2007
Graziela Costa Pinto
₢ JAMIE DUPLASS
Retenção de lembranças depende de maturidade cognitiva
Os bebês memorizam. Se não se lembram de nada antes dos 3 anos é devido à dificuldade de reter as informações nesse período. Esse fenômeno intriga pesquisadores e tem suscitado pesquisas como as da neurocientista americana Patrícia Bauer, da Universidade Duke, e da psicóloga Lisa Oakes, da Universidade da Califórnia, apresentadas este ano na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em São Francisco.

Os estudos revelam que na amnésia infantil o processo de esquecimento supera a capacidade de formação de memórias. Segundo Bauer, memórias são constituídas com base em complexa rede de estruturas cerebrais que se desenvolvem aos poucos, em diferentes regiões do cérebro infantil. Entre 6 e 18 meses essas estruturas vão se ligando umas às outras. Nesse período os bebês adquirem grande habilidade para formar memórias de curto e longo prazo. Até os 9 meses, porém, as recordações são frágeis; perdem-se logo devido à imaturidade cognitiva. Já as crianças de 2 anos memorizam eventos por mais tempo. No lugar de lembranças de apenas um dia, recordam coisas experimentadas um ano antes. A maior capacidade de memorização coincide com a aquisição progressiva das noções de eu (aos 8, 9 meses), de tempo e espaço. Para Oakes, bebês captam e entendem grande parte de informações que recebem, mas não as absorvem por completo.

Os experimentos de Bauer incluíram testes com blocos ilustrados e medições eletrofisiológicas. Após observar como eram montados, os bebês imitavam a tarefa. A partir de então, recebiam os mesmos objetos. O objetivo era testar a duração da memória e até que ponto retinham a informação sobre a montagem do jogo. Já Oakes, levando em consideração que os bebês tendem a se ater mais a coisas novas que a conhecidas, mediu o interesse por objetos; quanto tempo retinham na mente aqueles anteriormente apresentados.

Segundo Lia Bevilaqua, do Centro de Memória do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC-RS, isso demonstra que, ao contrário do que se acreditava, crianças com menos de 1 ano têm capacidade de evocar memórias episódicas e autobiográficas, e ao final do segundo ano de vida a habilidade para formar e expressar memórias de longa duração já está quase completamente desenvolvida.”