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Movimentos desajeitados fazem aprender mais rápido

Muitas tentativas e erros no início são sinal de que o cérebro está explorando várias ações possíveis para encontrar a mais precisa

setembro de 2014
Vadim Ponomarenko/Shutterstock

Seja aprender um novo estilo de dança ou a tocar violão – no começo, até mesmo os alunos mais aplicados cometem erros. Por muito tempo foi considerada a hipótese de que erros refletem o funcionamento descoordenado entre as partes do cérebro envolvidas no movimento, o que se resolve com uma boa dose de persistência e prática. Porém, um novo estudo publicado este ano na Nature Neuroscience mostra que essas inconsistências são muito mais que obstáculos a serem superados. Elas significam que o cérebro está mobilizado para o aprendizado, buscando o melhor “ajuste” para executar a tarefa com precisão.

Os participantes do experimento aprenderam a copiar uma linha curva sem olhar o movimento das próprias mãos. Inicialmente, todos riscavam fora da marca, mas alguns tinham mais dificuldades do que outros. Durante o treinamento cada produção era pontuada de acordo com a similaridade em relação ao modelo. Ao longo de centenas de tentativas, os voluntários passaram a desenhar com cada vez mais exatidão. No entanto, os que arriscaram gestos diferentes logo no início se aperfeiçoaram antes daqueles que variaram menos. Outro experimento reforça essa associação: os participantes aprenderam mais rapidamente quando os pesquisadores estimularam a irregularidade do gesto aplicando um campo de força que empurrava suas mãos. 

A hipótese é que a maior variação dos movimentos significa que o cérebro está explorando mais o espectro de possíveis ações, o que faz encontrar mais rapidamente os movimentos mais precisos. Para o neurocientista Maurice Smith, da Universidade Harvard, autor do estudo, a descoberta tem aplicações práticas. Ele sugere, por exemplo, que construir um perfil da variedade de movimentos de quem passou por acidente vascular cerebral (AVC) pode ser útil na reabilitação. “A ideia é usar a variabilidade para detectar os tipos de tarefa que o paciente consegue aprender com mais facilidade e assim direcionar o treinamento.” Logo, quando se sentir frustrado ao tentar aprender algo novo, anime-se: a falta de jeito pode ser o primeiro passo para o aperfeiçoamento.

Saiba mais sobre o tema no especial n°45, Cérebro em movimento 2, nas bancas e na Loja Segmento.

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