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Muita prática nem sempre leva à perfeição

Aprimorar-se em qualquer área exige horas de dedicação, mas disciplina e tempo podem ser menos decisivos do que parecem

dezembro de 2014
Arte de João Simões sobre foto Anton_novik/Shutterstock

A ideia de que sucesso não é mera questão de talento ganhou força em 1993, quando o psicólogo K. Anders Ericsson e seus colegas defenderam o conceito de prática deliberada. De acordo com essa teoria, popularizada como “regra das 10 mil horas” pelo jornalista Malcolm Gladwell no best-seller Fora de série – Outliers (Sextante, 2008), são necessárias ao menos 10 mil horas de prática – o equivalente a três horas por dia de treinamento durante dez anos – para alcançar
o nível de excelência em qualquer atividade. 

Apesar da repercussão, a teoria permanece controversa. A psicóloga Brooke Macnamara, da Universidade Princeton, resolveu testá-la: revisou 157 resultados de experimentos que relacionavam o total de tempo dedicado a praticar e a habilidade em música, esportes, educação e outras áreas. Ela constatou que, em média, o tempo de treino foi responsável por apenas 12% da variação do desempenho. A prática fez mais diferença em jogos como xadrez (foi associada a 26% da variação no desempenho), mas não teve nenhuma influência sobre habilidades acadêmicas ou profissionais, como programação de computadores.

Quanto mais rigorosa a avaliação das capacidades pelos estudos (por exemplo, com especialistas julgando os voluntários), menos o tempo total de prática teve importância no resultado.

Embora a autora não possa apontar ao certo quais fatores contribuem para a excelência além da dedicação de tempo, ela e seus colegas acreditam que talento natural, inteligência geral (referente ao conceito de fator g, uma espécie de aptidão global medida em testes de QI) e memória de trabalho podem ser aspectos relevantes. E o ideal de sucesso, isso afirmam com certeza, nem sempre depende apenas de bom desempenho – chegar ao topo envolve também aspectos da personalidade, determinação ou simplesmente estar “no lugar certo, na hora certa”.

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