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Notícias

Mulheres e álcool

março de 2007
Exposição ao risco: dependência está entre as principais causas de morte precoce
O consumo intenso de bebidas alcoólicas vem crescendo entre mulheres de maior escolaridade e sem parceiros, revela levantamento sociodemográfico feito por pesquisadores do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Participaram da pesquisa cerca de 1.500 moradores dos bairros Vila Madalena e Jardim América, ambos na zona oeste da capital paulista.

Os resultados mostraram que 15,4% dos homens e 7,2% das mulheres faziam uso excessivo de álcool, ainda que de forma esporádica, segundo definição da Organização Mundial da Saúde, que classifica como "bebedores pesados" (em inglês, heavy drinkers) quem consome cinco doses ou mais, no caso dos homens, ou quatro doses ou mais, no caso das mulheres, de bebida alcoólica em uma única ocasião. Esse padrão de consumo de álcool foi mais comum em mulheres de 18 a 44 anos, solteiras, separadas ou viúvas e com mais de 12 anos de escolaridade.
Entre os homens, o consumo intenso de álcool foi maior entre os mais jovens (18 a 24 anos), solteiros e de baixa renda. Cerca de 40% dos "bebedores pesados" começou a ingerir álcool antes dos 18 anos.

Segundo o estudo, a relação entre homens e mulheres que bebem nesse padrão é de 2 para 1, proporção menor que a observada nos Estados Unidos, de 3 para 1. Segundo os autores, isso seria explicado pelo fato de as mulheres dos bairros analisados pertencerem a um estrato social onde esse comportamento é mais bem aceito, o que as deixa, por outro lado, mais expostas às conseqüências desse hábito. Além da dependência química, o álcool é uma das principais causas de morte precoce e está associado a comportamento sexual de risco, gravidez indesejada, acidentes, violência e diversas doenças crônicas.