Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Na vanguarda da loucura

Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo, exibe obras de dois artistas diagnosticados com esquizofrenia

junho de 2013
Emydgio de Barros/Guache sobre papel/Museu de Imagens do Insconsciente
Nas palavras da psiquiatra Nise da Silveira, a criatividade “leva sensações, emoções e pensamentos a reconhecer-se, a associar-se”. Conhecida por seu trabalho revolucionário com pacientes do centro psiquiátrico Pedro II, hoje Instituto Nise da Silveira, a alagoana apostou nopoder terapêutico de tintas, pincéis e argila como alternativa aos tratamentos invasivos e cruéis aos quais doentes mentais eram submetidos, como o choque elétrico. Durante os anos 40 e 50, alguns pacientes se destacaram e produziram obras que mais tarde foram reconhecidas por seu valor artístico. O Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo, exibe o trabalho de dois deles, Raphael Domingues e Emygdio de Barros, ambos diagnosticados com esquizofrenia, na exposição Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro

Originais do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente (MII), as obras selecionadas mostram que, apesar de marginalizados entre os muros de um manicômio, os internos-artistas se engajaram em uma busca semelhante à dos grandes nomes da arte moderna – traduzir as profundezas da mente em cores e formas. Desde o início das atividades do ateliê, os dois pacientes chamaram, entre mais de mil internos, a atenção do artista plástico Almir Mavignier, professor voluntário na instituição e um dos precursores da arte óptica no Brasil. Domingues, que trabalhou como desenhista antes de desenvolver esquizofrenia, tem sua obra marcada por traços fortes e contínuos. As pinturas de Barros têm aspecto “estilhaçado” e demonstram a preocupação do autor em retratar objetos e personagens de forma aproximada, como se posicionasse uma lente de aumento sobre a realidade.

Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro. Instituto Moreira Salles. Rua Piauí, 844, 1o andar, Higienópolis, São Paulo. De terça a sexta, das 13h às 19h. Sábado, domingo e feriado, das 13h às 18h. Grátis. (11) 3825-2560. Até 7 de julho.

Leia mais:

Sobre gênios e loucos

As artes de Arthur Bispo do Rosário