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Notícias

Neurociência brasileira

julho de 2007
(Agência Fapesp) – “As neurociências são uma área em que as grandes descobertas estão apenas começando. Com investimentos maciços em pesquisas no setor, o Brasil pode aproveitar uma chance de ouro, largar na frente e se posicionar na fronteira científica.”A opinião é de Luiz Carlos de Lima Silveira, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Nesta quinta-feira (12/7), na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém, Silveira comparou o atual desenvolvimento das neurociências com o estágio em que estavam a astrofísica a partir de Einstein e a biologia a partir da descoberta da estrutura do DNA.

“Temos três grandes questões científicas básicas: o que é o Universo, o que é a vida e o que é a consciência. Há cem anos não tínhamos nem mesmo uma vaga construção teórica para levantar hipóteses sobre uma das três. Hoje, a astrofísica e a biologia molecular respondem às duas primeiras. A neurociência, que responderá à terceira, está dando seus primeiros passos", afirmou.

Segundo Silveira, no entanto, quando o Brasil começou a atuar em astrofísica e biologia molecular, países desenvolvidos haviam disparado na frente. Mas, esse não é o caso das neurociências – ainda. “O primeiro artigo que estabeleceu um arcabouço teórico que permite identificar os requisitos para a formação de uma consciência, publicado em 1998, foi Consciência e complexidade, de Giulio Tononi e Gerald Edelman, na revista Science.”
Na visão do professor, a neurociência, nos próximos anos, terá uma evolução tão importante quanto a que tornou possível a observação de planetas além do Sistema Solar e da composição das estrelas, ou a que permitiu o seqüenciamento de genomas.

“Desvendar a consciência terá um impacto na maneira de compreender o mundo cuja dimensão nem conseguimos imaginar. Podemos esperar que a neurociência levará à cura de todas as doenças degenerativas e até ao armazenamento da experiência consciente em suportes externos. O mundo todo está iniciando essa corrida e temos a chance de sair na frente”, destacou.

Silveira é o coordenador da Rede Instituto Brasileiro de Neurociência (IBN Net), composta por 30 grupos de pesquisa de neurociências, formados por pesquisadores de 11 institutos de ensino superior sediados no Pará, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo. Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A fundação da rede, em janeiro de 2007, está ligada ao objetivo de impulsionar a neurociência no Brasil.

Segundo ele, a rede, com apoio principalmente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), tem entre seus objetivos realizar projetos conjuntos, comparar dados e discutir novos procedimentos e tecnologias, “em torno de múltiplos aspectos das bases morfofuncionais de organização do sistema nervoso e dos fenômenos de neurodegeneração que acometem os seres humanos e representam problemas de saúde de enorme relevância para o país”.