(Agência Fapesp) – “As neurociências são uma área em que as grandes descobertas estão apenas começando. Com investimentos maciços em pesquisas no setor, o Brasil pode aproveitar uma chance de ouro, largar na frente e se posicionar na fronteira científica.”A opinião é de Luiz Carlos de Lima Silveira, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Nesta quinta-feira (12/7), na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém, Silveira comparou o atual desenvolvimento das neurociências com o estágio em que estavam a astrofísica a partir de Einstein e a biologia a partir da descoberta da estrutura do DNA. “Temos três grandes questões científicas básicas: o que é o Universo, o que é a vida e o que é a consciência. Há cem anos não tínhamos nem mesmo uma vaga construção teórica para levantar hipóteses sobre uma das três. Hoje, a astrofísica e a biologia molecular respondem às duas primeiras. A neurociência, que responderá à terceira, está dando seus primeiros passos", afirmou.
Segundo Silveira, no entanto, quando o Brasil começou a atuar em astrofísica e biologia molecular, países desenvolvidos haviam disparado na frente. Mas, esse não é o caso das neurociências – ainda. “O primeiro artigo que estabeleceu um arcabouço teórico que permite identificar os requisitos para a formação de uma consciência, publicado em 1998, foi Consciência e complexidade, de Giulio Tononi e Gerald Edelman, na revista Science.” |