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Neurociências na berlinda

janeiro de 2009
© Dean Hoch/iStockphoto
Artigo publicado recentemente na revista Nature Neuroscience apresenta fortes suspeitas sobre a qualidade das pesquisas que correlacionam as emoções à ativação de certas regiões do cérebro. O alerta é feito pelo psicólogo Hal Pashler, da Universidade da Califórnia em San Diego, que analisou mais de 50 estudos baseados em ressonância magnética funcional. Seus resultados mostram que o problema é estatístico.

Nesse tipo de pesquisa, os cientistas costumam fazer varreduras dos cérebros de voluntários enquanto eles realizam uma tarefa concebida para provocar uma emoção em particular, como alegria, tristeza, euforia etc. Segundo Pashler, as análises estatísticas feitas nesses estudos quase sempre inflacionam a verdadeira correlação entre o sentimento deflagrado e seu correspondente correlato neuroanatômico.

As conclusões provocaram indignação entre muitos pesquisadores, muitos dos quais tiveram seus estudos analisados por Pashler. No entanto, esse tipo crítica às neurociências vem sendo cada vez mais freqüente. Para muitos especialistas, há certo exagero na visão, cada vez mais disseminada, de que tudo que é relativo à cognição - inclusive seus distúrbios - pode ser reduzido a uma mera questão de localização cerebral.

Este, aliás, é o mote da Conferência Neurociência Crítica, que acontece no dia 30 de janeiro, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Entre os objetivos do evento estão: favorecer a perspectiva multidisciplinar nessa área, investigar criticamente os contextos históricos, culturais e políticos das neurociências e incorporar uma consciência crítica na prática das ciências cognitivas. Mais informações: www.thefpr.org.