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Neurônios que reconhecem odores têm forma única de funcionar

Moléculas diferentes ativam as mesmas células responsáveis por processar aromas

outubro de 2011
© valentina1988/shutterstock
Nos mamíferos, as células do córtex cerebral encarregadas de processar informações sensoriais são frequentemente dispostas segundo um princípio espacial. Neurônios que reagem a estímulos semelhantes – por exemplo, a sons de frequência similar – ficam próximos uns dos outros. Até agora, porém, não se sabia se esse era o caso do processamento olfativo.


Porém, os neurobiólogos Dan Settler e Richard Axel, da Universidade Columbia, em Nova York, descobriram recentemente que diferentes odores ativam determinado grupo de células neurais de cada vez. Estas, no entanto, não estão ordenadas espacialmente como as que recebem informações de outros sentidos: encontram-se espalhadas por todo o córtex.


Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores expuseram camundongos a diversos aromas e examinaram quais neurônios eram ativados de forma mais intensa. Com ajuda da microscopia de dois fótons as células puderam ser localizadas com exatidão. Nesta técnica de fluorescência são utilizadas luzes de ondas longas para estimular pigmentos, o que torna a atividade neuronal visível “ao vivo”.


As imagens revelaram que um aroma ativa de 3% a 15% das células do córtex encarregadas de captar e processar cheiros. Os neurônios aparentemente estão espalhados e reagem de forma pouco específica a cada aroma individualmente: contrariando as expectativas dos pesquisadores, tanto moléculas semelhantes quanto aquelas com estruturas completamente diferentes ativavam o mesmo neurônio. Os resultados foram publicados no periódico Neuron.