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Nicotina pode melhorar déficit cognitivo

Apesar de ser uma substância que causa dependência, diversos estudos têm demonstrado que a nicotina pode melhorar o aprendizado e a memória. Mas a pesquisa ainda não identifica muito bem as bases moleculares desses processos

abril de 2007
Apesar de se tratar de uma substância que causa dependência, diversos estudos sobre a nicotina têm demonstrado que ela pode melhorar o aprendizado e a memória. Um dos fatores limitantes das pesquisas, porém, está no fato de não se conhecerem muito bem as bases moleculares desses processos.

Um passo importante nessa área foi dado por pesquisadores da Universidade Vrije, em Amsterdã, que descobriram detalhes do mecanismo de ação da nicotina na sinalização dos circuitos neurais relacionada à ação da memória. Descritos na edição de abril da revista Neuron, esses mecanismos envolvem a intensidade das conexões entre os neurônios.

O estudo observou as propriedades eletrofisiológicas de neurônios do cérebro de ratos tratados com nicotina ou com drogas que inibem a ação da mesma. Foi dada especial atenção aos neurônios do córtex pré-frontal que possuem receptores para o neurotransmissor acetilcolina, notoriamente envolvidos nos processos de aprendizagem.

Os pesquisadores perceberam que, ao ativar os receptores colinérgicos, a nicotina modula um processo conhecido como “potenciação dependente de tempo”, associada à sinalização neural. Além disso, eles observaram que a substância influenciou também a atividade de neurônios que usam o neurotransmissor GABA nesses centros de aprendizagem.

Os cientistas esperam que, no futuro, esses conhecimentos sejam úteis no desenvolvimento de drogas à base de nicotina para tratar o déficit cognitivo de pacientes com doença de Alzheimer ou de Parkinson, esquizofrenia e transtorno de hipertatividade e déficit de atenção.