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No limite da sanidade

Mostra na Caixa Cultural São Paulo traz obras dos fotógrafos voyeurs Anders Petersen e Jacob Sobol; instituições de saúde mental, prisões e asilos são cenários de situações extremas de sofrimento psíquico e beleza

abril de 2016
DIVULGAÇÃO

Nos anos 80, o fotógrafo sueco Anders Petersen passou três anos documentando centros psiquiátricos. Sentia curiosidade em registrar a intimidade dos internos, pessoas à margem da sociedade e em intenso sofrimento psíquico. Em paralelo, captou imagens de outros ambientes onde pessoas viviam em confinamento, como prisões e asilos. Publicadas em livro há mais de 30 anos, as dezenas de imagens do artista, ampliadas em até 2 metros, são alguns dos trabalhos exibidos na mostra Veias, na Caixa Cultural, em São Paulo. A exposição traz obras emblemáticas de Petersen e de outro importante nome da fotografia nórdica atual, o dinamarquês Jacob Sobol, somando um total de 105 fotografias.

Três décadas mais jovem que Petersen, Sobol revela a mesma atração do sueco por retratar situações em que a sanidade mental parece colocada à prova. Documentou dependentes químicos que viviam nas ruas, criminosos, travestis que se prostituíam nas capitais europeias. Ambos colocam uma lente de aumento sobre as expressões e os corpos de pessoas que a maioria de nós tende a evitar. E os revelam surpreendemente belos. “Está tudo bem em estar desesperado, carente, em sentar-se só ou dividir a companhia com desconhecidos. Há grande calor e tolerância nesse cenário de indigentes”, diz Petersen sobre seu trabalho.

O termo “indigentes”, aliás, traduz bem a proposta da mostra: Petersen e Sobol dispensam as legendas nas fotografias, preferindo não situar a localização nem o contexto exato das imagens.

Veias.
Caixa Cultural São Paulo. Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo.
De terça a domingo, das 9h às 19h. Informações: (11) 3321-4400. Grátis. Até 8 de maio.

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