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Novo insight sobre as bases genéticas da esquizofrenia

Estudo detalha a participação de dois dos cerca de 12 genes envolvidos no desenvolvimento da doença

maio de 2007
© Kiyoshi Takahase Segundo/Dreamstime
Problemas na substância branca cerebral podem ser decisivas na manifestação da esquizofrenia, doença que afeta cerca de 1% da população mundial. Essa é a conclusão do estudo publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), que detalha a participação de dois dos cerca de 12 genes envolvidos no desenvolvimento da doença.

Estudos anteriores haviam ligado a esquizofrenia aos genes para a neuregulina 1 (NRG1), proteína envolvida com o desenvolvimento cerebral, e para o erbB4, receptor das células cerebrais pelo qual a NRG1 exerce sua ação. Mas, até agora, não havia sido demonstrado quais alterações nesses genes levariam a problemas psiquiátricos.

Utilizando camundongos, pesquisadores do Programa de Neurobiologia do Hospital Infantil de Boston demonstraram que alterações na dupla NRG1-erbB induzem a mudanças patológicas na massa branca cerebral. Eles mostraram ainda que tais mudanças levam a alterações em sinais bioquímicos e em comportamentos que sugerem doença mental.

“Mostramos que causar um defeito na massa branca é suficiente para levar a mudanças bioquímicas e comportamentais semelhantes àquelas observadas em doenças neuropsiquiátricas. Acho que a descoberta proporcionará uma nova maneira de pensar sobre as causas da esquizofrenia e de desenvolver terapias”, disse Gabriel Corfas, autor principal do estudo.
A esquizofrenia é tipicamente diagnosticada no fim da adolescência ou no início da fase adulta, mas é quase sempre precedida por problemas sutis afetivos, cognitivos ou motores. “Precisamos descobrir se os problemas na massa branca acontecem cedo, antes dos sintomas psicóticos se tornarem evidentes. Se for o caso, haverá possibilidade de diagnóstico precoce e tratamento preventivo”, disse Corfas.

A idéia de que a esquizofrenia vem de problemas com a massa branca também ajudaria a explicar o momento de sua emergência. Estudos recentes sugerem que a cobertura de mielina do córtex pré-frontal (uma área do cérebro relacionada com a esquizofrenia) ocorre não apenas durante a infância, mas também no fim da adolescência e começo da idade adulta – exatamente quando a esquizofrenia aparece.

“Precisamos agora retomar os pacientes com esquizofrenia e observar se aqueles com variantes dos genes da NRG1 e erbB4 têm diferenças em suas massas brancas. Pode ser que haja diferentes tipos de esquizofrenia decorrentes de alterações em diferentes genes. Nesse caso, tratamentos dirigidos poderiam ser desenvolvidos para as diferentes formas”, afirmou Corfas. (Agência Fapesp)