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Novo tratamento diminui sintomas do déficit de atenção e de hiperatividade

outubro de 2008
© Rachelb/Dreamstime
(AGÊNCIA USP de NOTÍCIAS) Já são conhecidas e documentadas pelos profissionais de saúde as ligações entre os distúrbios respiratórios do sono (DRS) e os sintomas do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). A hipótese mais aceita é a de que tais distúrbios limitem a taxa de oxigênio no sangue do paciente, afetando a área do córtex frontal do cérebro ligada à atenção.

Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) demonstrou que este mesmo problema pode ser causado ou intensificado pelo distúrbio da respiração oral, hábito de respirar pela boca na maior parte do dia. Segundo a pesquisa, tratamentos ortodônticos e fonoaudiológicos podem melhorar significativamente o quadro de hiperatividade ou de déficit de atenção, e até a eliminar a necessidade de medicação em alguns casos.

O TDAH é um distúrbio neurocomportamental que acomete crianças trazendo três sintomas principais: hiperatividade (a criança que não pára de se mexer), impulsividade e déficit de atenção (dificuldades para se concentrar em uma mesma atividade por um certo tempo). Tais sintomas são identificáveis principalmente a partir dos sete anos, e só caracterizam o transtorno quando atrapalham de alguma forma o rendimento da criança na escola e a convivência em casa.
Além da relação com os distúrbios do sono já comprovadas, odontólogos observaram que, em geral, as pessoas que respiram pela boca com freqüência também demonstram problemas de concentração, sendo caracterizados como aéreas. Apesar da constatação, nenhuma pesquisa havia verificado esta ligação entre os dois distúrbios. Foi o que procurou fazer a cirurgiã dentista Carolina Marins Ferreira da Costa, avaliando como o tratamento da respiração oral influenciava na evolução do TDAH.


Para isso, foram selecionados pacientes do Ambulatório de Distúrbios de Aprendizagem do Instituto da Criança, no Hospital das Clínicas da FMUSP, que faziam tratamento medicamentoso para o TDAH e apresentavam o transtorno da respiração oral. Para os fins desta pesquisa, foram excluídos casos que demandavam cirurgia e mantidos apenas os que poderiam ser tratados com aparelhos ortodônticos e acompanhamento fonoaudiológico. Carolina acompanhou a evolução do TDAH nos pacientes que aceitaram fazer estes tratamentos e também nos que o rejeitaram, ficando apenas com o tratamento medicamentoso, funcionando como grupo de controle.

“As pessoas que já estão há muito tempo respirando pela boca apresentam uma diminuição dos ossos maxiliares e nasais. O tratamento com aparelhos ortodônticos, que demoram 18 meses ou mais, promovem o crescimento destes ossos e o tratamento fonoaudiológico devolve a tonicidade do músculos da região, que se apresentam flácidos”, explica a dentista.

Resultados promissores
Quanto à influência destes tratamentos na TDAH, os resultados da pesquisa foram bastante promissores: os oito pacientes que trataram a respiração oral apresentaram melhora no quadro de TDAH, sendo que dois deles puderam parar com a medicação. No grupo de controle, no qual os nove pacientes não trataram a respiração oral, não houve melhora além da já esperada pelo uso do medicamento (metilfenidato).