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Além da relação com os distúrbios do sono já comprovadas, odontólogos observaram que, em geral, as pessoas que respiram pela boca com freqüência também demonstram problemas de concentração, sendo caracterizados como aéreas. Apesar da constatação, nenhuma pesquisa havia verificado esta ligação entre os dois distúrbios. Foi o que procurou fazer a cirurgiã dentista Carolina Marins Ferreira da Costa, avaliando como o tratamento da respiração oral influenciava na evolução do TDAH.
Para isso, foram selecionados pacientes do Ambulatório de Distúrbios de Aprendizagem do Instituto da Criança, no Hospital das Clínicas da FMUSP, que faziam tratamento medicamentoso para o TDAH e apresentavam o transtorno da respiração oral. Para os fins desta pesquisa, foram excluídos casos que demandavam cirurgia e mantidos apenas os que poderiam ser tratados com aparelhos ortodônticos e acompanhamento fonoaudiológico. Carolina acompanhou a evolução do TDAH nos pacientes que aceitaram fazer estes tratamentos e também nos que o rejeitaram, ficando apenas com o tratamento medicamentoso, funcionando como grupo de controle.
“As pessoas que já estão há muito tempo respirando pela boca apresentam uma diminuição dos ossos maxiliares e nasais. O tratamento com aparelhos ortodônticos, que demoram 18 meses ou mais, promovem o crescimento destes ossos e o tratamento fonoaudiológico devolve a tonicidade do músculos da região, que se apresentam flácidos”, explica a dentista.
Resultados promissores Quanto à influência destes tratamentos na TDAH, os resultados da pesquisa foram bastante promissores: os oito pacientes que trataram a respiração oral apresentaram melhora no quadro de TDAH, sendo que dois deles puderam parar com a medicação. No grupo de controle, no qual os nove pacientes não trataram a respiração oral, não houve melhora além da já esperada pelo uso do medicamento (metilfenidato). |