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Nutriente do cacau ajuda a aprimorar memória e raciocínio

Além de favorecer funcões cognitivas, flavonoides também combatem hipertensão

março de 2013
Piotreknik/Shutterstock
Cientistas da Universidade de L’Áquila, na Itália, descobriram algo que provavelmente agradará a muitos amantes de chocolate: o consumo de flavonoides, susbtâncias naturais presentes no cacau cru, ajuda a melhorar funções cognitivas, como memória e raciocínio. Os pesquisadores analisaram um grupo de 90 idosos com dano cognitivo brando (MCI), um problema cerebral precursor do Alzheimer, e verificaram notável aumento na fluência verbal e no nível de atenção dos participantes que consumiram o composto todos os dias ao longo de 8 semanas.

O motivo da melhora de funções cognitivas ainda não foi descoberto, mas os pesquisadores acreditam que o fato possa estar relacionado a um tipo específico de flavonoide, a (-)-epicatequina. Segundo os cientistas, o nutriente ajuda a aumentar a circulação do sangue e estimular o crescimento de vasos sanguíneos, o que favorece a oxigenação no cérebro, melhorando suas funções.

Os resultados preliminares apontam que o composto também pode ajudar a combater  hipertensão. Entre os índios Kuna das ilhas do Panamá é comum o hábito de tomar em média cinco copos de bebida de cacau rica em flavanóis. Em comparação com a população Kuna do continente, que não tem o mesmo costume, eles apresentam uma taxa muito menor de hipertensos em sua população.

O nutriente também mostrou resultados promissores relacionados à memória de animais. Em um estudo recente, o neurocientista Fred Gage e sua equipe, do Salk Institute, na Alemanha, administraram o composto em lesmas e descobriram que a substância ajudou a aumentar a capacidade dos moluscos de se lembrarem de comandos ensinados pelos pesquisadoros. Segundo o artigo, publicado no Journal of Experimental Biology, o tempo máximo passou de três horas, sem o uso do flavonoide, para mais de um dia inteiro após sua aplicação.

No entanto, poucos produtos apresentam quantidades significativas de (-)-epicatequina. Além disso, o processo de preparação e armazenamento de alimentos que contêm o composto (além do cacau, também vinhos, maçãs e chás) pode prejudicar a ação do nutriente. Os pesquisadores também apontam que ainda não há um padrão para  consumo. Para ingerir 50mg de flavonoides, por exemplo, a mesma quantidade utilizada pelos cientistas da Universidade de L’Áquila, seria preciso comer entre 10 e 20 barras de chocolate por dia, porção com altos níveis de gordura e açúcar, o que não compensa os benefícios cerebrais.

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