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O alto preço da guerra

maio de 2008
© GRANT TERRY/SHUTTERSTOCK
De volta para casa: pesquisadores constatam declínio cognitivo provocado por traumas
Vítimas de traumas neurológicos sofrem declínio cognitivo mais rápido que a população em geral. Um novo estudo realizado nos Estados Unidos com veteranos da guerra do Vietnã em processo de envelhecimento, com traumas causados por balas ou estilhaços alojados no cérebro, oferece um quadro sombrio do futuro de seus colegas que retornam do Iraque com ferimentos semelhantes, segundo o neurocientista Jordan Grafman, do Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e Trauma, que conduziu pesquisa com veteranos do Vietnã. A equipe de Grafman descobriu que, as funções cognitivas desses pacientes decaem quase duas vezes mais rápido que a de seus colegas que não se feriram dessa forma. Porém, aqueles que tinham um alto grau de inteligência antes do trauma, parecem ter ficado mais “protegidos” contra essa decadência. A educação tem também efeito protetor. “Quanto mais elevado o nível cultural da pessoa, mais apta se mostra para se recuperar”, salienta o neurocientista. Os pesquisadores identificaram variáveis genéticas que podem ajudar a prever a deterioração pronunciada. As conclusões provavelmente se aplicam a combatentes do Iraque com o mesmo tipo de ferimento. “Sabemos que, em algum grau, essas pessoas sofrerão declínio cognitivo mais acelerado, resta-nos oferecer-lhes acompanhamento neurológico adequado”, diz Grafman. Segundo os pesquisadores, dois terços dos soldados americanos atendidos no Walter Reed Medical Center ao retornar do Iraque já sofrem as conseqüências dos traumas neurológicos.