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O autismo para Winnicott e Fédida

Como os dois psicanalistas concebem os transtornos do espectro autista

abril de 2014
PIO3 | Shutterstock
Seres humanos têm disposição inata para relacionamentos e comunicação: somos sensíveis às expressões faciais, reagimos a elas. Nas crianças autistas, no entanto, algo falha nesse contato inicial. Segundo o psicanalista inglês Donald Winnicott, há um longo percurso a ser feito antes que seja atingido o estágio de fusão entre mãe e bebê – fundamental para o desenvolvimento saudável.

Ou seja, o estado indiscriminado que Winnicott descreve como matriz das primeiras relações mãe–bebê não é um dado inato, mas uma construção que se dá a partir de um primeiro patamar de desenvolvimento. O autismo denuncia essa necessidade de construção prévia, já que é uma condição em que justamente esse desenvolvimento fracassa, e a fusão, a reciprocidade e a comunicação mútua não ocorrem.

O filósofo e psicanalista Pierre Fédida concebe o autismo como “um estado de autoerotismo sem Eros”. Assim como
Sigmund Freud, e posteriormente pela psicanalista francesa Marie-­Christine Laznik afirma que, num primeiro momento, o bebê lança-se ao mundo em busca de um outro que satisfaça suas urgências instintuais.

Posteriormente, quando as necessidades (de alimentação, por exemplo) não são imediatamente respondidas, a criança retorna para si, num movimento alucinatório de autossatisfação em que reedita o prazer que outrora obteve no contato com outra pessoa. Nesse segundo momento, o bebê volta-se para si impregnado do erotismo que lhe foi oferecido antes. Esse erotismo – ou seja, palavras, desejos e sensações que os outros deixaram impressos nele – é introjetado e transformado criativamente em pensamento.

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