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O gene da impulsividade

Pesquisa com presidiários descobre mutação que pode predispor a atitudes impensadas

janeiro de 2011
© Mopic/Shutterstock
Todas as pessoas, até mesmo as mais calmas, perdem o controle em algum momento. Nessas situações, geralmente tomam atitudes irrefletidas e exageradas que podem causar frustração, arrependimento e culpa. Um estudo recente feito na Finlândia com 96 presidiários demonstrou que a impulsividade excessiva, deflagrada pela irritação momentânea, pode ser provocada, pelo menos em parte, por uma mutação genética. Segundo a pesquisa, publicada na Nature, a alteração ocorre no gene HTR2B, um neurotransmissor receptor de serotonina que participa do processo de controle das reações em momentos de tensão. Para chegar a essa conclusão os cientistas sequenciaram o DNA de condenados por crimes violentos e compararam com o material genético de voluntários. Como esperado, a mutação denominada HTR2B Q20 se mostrou três vezes mais presente entre os presidiários – aparecendo em 17 deles. Os presos cometeram em média cinco atos brutais, sendo que em 94% dos casos eles estavam sob influência de bebidas alcoólicas. Os crimes iam desde reações agressivas a ocorrências sem maiores consequências, sem premeditação ou ganho financeiro. Apesar dessa descoberta, os pesquisadores ressaltam que apenas a presença da HTR2B Q20 não é suficiente para provocar ou prever o comportamento impulsivo. A interação com outros fatores como níveis de estresse e influência de entorpecentes deve ser levada em conta ao se discutir o tema.