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O homem que guarda sua memória em um computador

Protagonizada por Mateus Solano, a peça Selfie faz uma crítica bem-humorada à relação humana com as tecnologias

janeiro de 2015
Sérgio Baia/Divulgação
Uma foto de si mesmo tirada especialmente para postar nas redes sociais. É o selfie, termo que se popularizou com a chegada dos celulares equipados com câmera e a possibilidade de conectá-los à internet. Em 2013, foi eleita a palavra do ano pelo Dicionário Oxford, que constatou um aumento de 1.700% na procura on-line por seu significado. Há usuários, e isso não é nada incomum, que fazem de seu perfil nas redes uma espécie de diário fotográfico: publicam imagens comendo, presos no trânsito, passeando com seus animais de estimação. É como se o celular munido com câmera desse sentido a suas vivências.

Em cartaz no Rio de Janeiro, a peça Selfie faz uma crítica bem-humorada à relação humana com as tecnologias, a começar pelo título: pessoas privilegiam a interação com seus gadgets a ponto de acreditar na autoimagem que constroem e divulgam no mundo virtual. É o caso do personagem aficionado em internet vivido pelo ator Mateus Solano, que armazena seus dados pessoais em nuvens, redes sociais e HDs. Ele tenta criar um banco de dados capaz de guardar e relacionar todas as informações possíveis sobre uma pessoa, mas vê o plano frustrado depois de deixar cair café na sua máquina. Sem memória virtual, percebe que não consegue se lembrar do seu passado e, em busca de informações sobre si mesmo, procura e encontra pessoas que fizeram parte de sua vida, todas interpretadas pelo ator Miguel Thiré. O cenário, todo preto e em formato de tablet, sugere a imersão em um mundo virtual.

Selfie. Teatro Miguel Falabella/Norte Shopping. Avenida Dom Helder Câmara, 5332, Del Castilho, Rio de Janeiro. De quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h. Quinta e sexta, R$ 60. Sábado e domingo, R$ 70. Informações: (21) 2597-4452. Até 25 de janeiro.

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