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O inconsciente na obra de Joan Miró

Em cartaz no Rio de Janeiro, mostra traz 69 desenhos e gravuras de um dos mais importantes artistas surrealistas 

setembro de 2014
Successión Miró, Miró, Joan / Licenciado por Autvis, Brasil, 2014/ Foto: Alfredo Melgar

Joan Miró (1893-1983) costumava passar dias sem comer para provocar alucinações. Acreditava que a fome era capaz de amortecer sua consciência e permitir que ideias e imagens emergissem das profundezas de sua mente. Produziu uma linguagem simbólica própria: formas simples e coloridas que, para o público leigo, lembram divertidos desenhos infantis. 

Uma análise mais profunda, porém, revela que Miró criou códigos para suas memórias. Pintava, por exemplo, apenas um chapéu, um cachimbo ou um facão para representar trabalhadores do campo; traçava contornos femininos que evocam esculturas primitivas de exaltação da fecundidade. “A forma nunca é algo abstrato, é sempre um homem, um pássaro ou algo mais. Meu estilo é nunca considerar a forma”, dizia o pintor, que tem 69 de suas obras expostas na Caixa Cultural do Rio de Janeiro até o fim de setembro, na mostra A magia de Miró, desenhos e gravuras. 

Os trabalhos da mostra foram feitos durante as últimas duas décadas de vida do artista. Miró começou a pintar na adolescência, depois de um episódio de depressão. Nos anos 20, em Paris, identificou-se com artistas do movimento surrealista, que consideravam que a razão bloqueava a criatividade verdadeira, puramente inconsciente. Deixou, então, de representar a realidade em suas pinturas e, com o método de provocar alucinações, dedicou-se a “redescobrir o aspecto mágico e religioso das coisas, característicos dos povos primitivos”. Essa intenção é evidente nas produções do fim dos anos 40 em diante, com variações temáticas sobre mulheres, cães, pássaros e estrelas. Além das ilustrações, 23 fotografias do artista, registradas pelo curador Alfredo Melgar, completam a mostra. Depois do Rio de Janeiro, as obras seguem para Recife e Salvador. 

A magia de Miró, desenhos e gravuras. Caixa Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3. Avenida Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca), Rio de Janeiro. Terça a domingo, das 10h às 21h. Informações: (21) 3980-3815. Grátis. Até 28 de setembro. Após temporada no Rio de Janeiro, a mostra segue para o Recife (7 de outubro a 7 de dezembro) e Salvador (16 de dezembro até fevereiro de 2015).

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