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O papel das células gliais na epilepsia

Mutação nas estruturas foi identificada por cientistas americanos e pode ajudar a explicar a origem da doença

junho de 2013
Juan Gaertner/Shutterstock
Crises de epilepsia se originam em descargas elétricas não habituais entre neurônios, o que causa as convulsões. Ainda não se sabe exatamente o que desencadeia essas “tempestades elétricas”. No entanto, segundo cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), a resposta para a epilepsia pode não estar nos neurônios, mas nas células da glia. 

Estudos anteriores já mostraram que quando o córtex de moscas-das-frutas não consegue regular adequadamente os níveis de cálcio, os neurônios vizinhos ficam vulneráveis às descargas. Os pesquisadores do MIT identificaram a mutação genética que deixa esses insetos mais propensos  às crises – ela ocorre no gene zydeco, que controla o transporte de cálcio no interior das gliais. “O curioso é que a maioria dessas células não dispara impulsos elétricos”, diz a autora do estudo, Jan Melom. 

Segundo ela, a mutação evita que pequenas flutuações de cálcio ocorram na glia, o que pode resultar em acúmulo dessa subtância nas células. Situações estressantes, como calor, geralmente aumentam os níveis de cálcio, o que poderia desencadear “algum tipo de reação nas gliais que se propaga para os neurônios”, diz Jan. Como existe uma versão do zydeco em mamíferos, a descoberta pode ajudar a explicar a origem das crises epiléticas em humanos.

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